Euro opõe sonho da Inglaterra à surpresa Dinamarca, que tenta evocar 'Dinamáquina' e azarões

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Nesta quarta-feira, o Wembley abre as portas para milhares de ingleses que tentarão empurrar sua equipe a um sonho inédito: chegar à final da Euro, ter a oportunidade de buscar o nunca antes conquistado título e encerrar o jejum de conquistas que dura desde 1966 — desta vez, em casa. Mas a tarefa não vai ser fácil: os ingleses têm pela frente a Dinamarca, uma das surpresas da competição. A equipe superou o susto de uma quase tragédia na estreia para engatar uma de suas melhores campanhas na competição e sonha com um novo feito como o do surpreendente título de 1992. A partida está marcada para as 16h, com transmissão do Sportv.

Naquela época, os nórdicos surpreenderam o mundo com uma equipe que ficou conhecida como a "Dinamáquina" entre os brasileiros. Em 1986, uma Dinamarca liderada pelo zagueiro e capitão Olsen, o artilheiro Elkjaer Larsen e um jovem Michael Laudrup, fez campanha arrasadora na fase de grupos da Copa do Mundo, em sua primeira participação. Venceu Alemanha Ocidental, Escócia e Uruguai (numa goleada épica por 6 a 1). A Dinamáquina acabou caindo nas oitavas de final, goleada por 5 a 1 pela Espanha, naquele que parecia o ponto final de um curto conto de fadas.

Seis anos depois, a equipe dinamarquesa, que não foi à Copa de 1990, voltaria a surpreender os torcedores, desta vez na Euro. Após não conseguir a classificação à competição em campo, um já consagrado Laudrup se afastaria da seleção sob críticas ao técnico Richard Nielsen. Com a saída da Iugoslávia da competição, impedida de participar por problemas civis e políticos, os dinamarqueses ganharam a última vaga ao torneio, mas seu craque não retornou. Perdeu a maior conquista de seu país.

Em equipe com alguns dos destaques de 1986 mais o atacante Brian Laudrup (irmão de Michael) e o goleiro Peter Schmeichel (hoje lenda do Manchester United), a Dinamáquina ressurgiu. O futebol ofensivo de seis anos antes deu lugar a uma equipe mais pragmática, mas ainda com mais sucesso que sua predecessora. Os dinamarqueses empataram com a Inglaterra e perderam para a Suécia na fase de grupos, mas garantiram a classificação com vitória sobre a França.

Heróis falam em repetir o feito

Na semifinal, a primeira surpresa: derrubaram a favoritíssima Holanda de Bergkamp e Van Basten nos pênaltis. Na decisão, foi decretada a "zebra": Os dinamarqueses, que quase ficaram de fora da competição, contaram com gols de Vilfort e Jensen para bater a Alemanha, então campeã do mundo, por 2 a 0, eternizando-se como um dos mais históricos azarões da Euro e das competições de seleções. Três anos depois, ainda venceriam a Copa das Confederações, com vitória sobre a Argentina na final.

Após a Dinamarca, a Euro viveria apenas dois resultados tão imprevisíveis quanto aquele. Em 2004, a Grécia derrubava França e República Tcheca no mata-mata antes de surpreender Portugal de um jovem Cristiano Ronaldo na final. Doze anos depois, foi a vez de Portugal — que não chegou a ser considerado um completo azarão — surpreender a Europa e caminhar com dificuldades até bater a favorítissima França para ficar com seu primeiro título, já com CR7 como capitão.

Em entrevista à emissora norte-americana ESPN, o atacante Vilfort relembrou a conquista e afirmou ser possível que a equipe consiga derrubar a Inglaterra nesta quarta-feira. Ele ressaltou que, na época, a fase de grupos da competição classificava diretamente às semifinais, e a equipe atual terá uma tarefa mais difícil para chegar a um possível título.

— Foi uma época especial, um momento especial para a Dinamarca. Algo que uniu o país inteiro, o que é difícil. Poucas coisas conseguem fazer isso, e o futebol é uma delas. Na Dinamarca, todas dizem que lembram onde estavam no dia 26 de junho de 1992 (data da final). Todos, até quem não gosta de futebol — diz.

A campanha dinamarquesa é animadora. Sem Eriksen, que sofreu uma parada cardíaca em campo na estreia, contra a Finlândia, a equipe encontrou forças para se levantar e golear seguidamente Rússia e País de Gales na última rodada da fase de grupos e nas oitavas de final, respectivamente. Nas quartas, bateu a pedreira República Tcheca para chegar à semifinal com merecimento.

— No início do campeonato, tomamos como objetivo voltar a Wembley. Depois de tudo que aconteceu, esse se manteve como nosso objetivo número 1. Agora estamos nos preparando para retornar (para o estádio). Em termos de emoções, tem sido uma loucura — diz o meia Delaney, um dos destaques da equipe.

Futebol voltando para casa?

A Inglaterra vai completa para a decisão, e os holofotes da semana se voltaram ao cenário político. O premiê Boris Johnson sofreu pressão do parlamento europeu por conta da liberação do público de 60 mil para a final em Wembley em meio à pandemia da Covid-19, mas não voltou atrás na decisão.

Isolada dos problemas, a seleção inglesa se apoia na grande vitória por 4 a 0 sobre a Ucrânia e na boa fase crescente do atacante e capitão Harry Kane. Ao som de "football is coming home" (O futebol está voltando para casa), canto da torcida, os ingleses buscam chegar à sua primeira final de Euro na história.

— A Dinamarca é uma grande equipe, não conseguimos vencê-la na Nations League. Reagiram bem após um início complicado e têm ganhado ímpeto. Mas vamos pensar em nós mesmos, acima de tudo. É semifinal, estamos em nosso estádio e temos que usar isso como motivação. Com a proposta certa, temos muitas chances de ir à final — analisa Kane.

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