Eurocopa terá 11 sedes, desafio de logística inédito e expectativa de final com 45 mil torcedores

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Prevista para começar ao mesmo tempo que a Copa América, a Eurocopa é um espelho interessante quando se trata de organização. Mesmo no Velho Continente não existe conto de fadas, mas há mais segurança e estabilidade sobre o que irá acontecer com o torneio. Dividida em 11 sedes, ou super-bolhas como estão sendo chamadas, a competição terá pela frente um inédito desafio de logística e público nos estádios.

A novidade desta edição é que nunca houve tamanha divisão de cidades que receberão a Eurocopa. Essa foi uma medida da Uefa para evitar a concentração de delegações nos mesmos países durante a disputa. Outro ponto importante é que a entidade deseja colocar torcedores em todos eles, com a final em Wembley, em Londres, recebendo o maior público da competição, com expectativa de 45 mil pessoas presentes.

Entre as cidades-sede com maior liberação de público, estão Budapeste (100%), Baku e São Petersburgo (50%), e Amsterdã, Bucareste, Copenhague, Glasgow, Roma e Sevilha (33%). Londres (25%) e Munique (22%) completam a lista, mas a capital inglesa tem expectativa para aumento de capacidade.

As 11 sedes da Eurocopa e o público

Amsterdã (Holanda) - 25 a 33% de capacidadeBaku (Azerbaijão) - 50% de capacidadeBucareste (Romênia) - 25 a 33% de capacidadeBudapeste (Hungria) - 100% de capacidade*Copenhague (Dinamarca) - 25 a 33% de capacidadeGlasgow (Escócia) - 25 a 33% de capacidadeRoma (Itália) - 25 a 33% de capacidadeSão Petersburgo (Rússia) - 50% de capacidadeLondres (Inglaterra) - 25% da capacidade**Sevilha (Espanha) - 25 a 33% de capacidadeMunique (Alemanha) - 22% da capacidade

* Medidas de segurança na entrada ao estádio serão mais restritas

** Passível de aumento

Duas sedes perderam o direito de sediar a competição. Dublin, na Irlanda, não foi mantida por não conseguir oferecer garantias de presença de público e seus jogos foram realocados para São Petersburgo (três partidas do Grupo E) e Londres (um jogo das oitavas de final). Já Bilbao, na Espanha, voltou atrás e abriu mão de ser uma cidade-sede, sendo substituída por Sevilha.

Se a Copa América ainda vive indecisão sobre a chegada das equipes, na Uefa foi comunicado que delegações e torcedores terão que seguir as regras de imigração de cada país. A entidade indicou que todos que desejam viajar para acompanhar os jogos deverão estar atentos às restrições de cada local, que costumam ser atualizadas regularmente — incluindo a possibilidade de quarentena.

A Rússia, por exemplo, permitirá que torcedores estrangeiros com ingressos entrem no país sem visto para assistir ao torneio, segundo o comitê organizador local. O país limita a entrada de estrangeiros, só deixando cidadãos de países com os quais retomou voos internacionais.

Na Inglaterra, existem pré-requisitos para acompanhar os jogos em Londres, como a assinatura de termo de consentimento, ter mais de 18 anos, não apresentar vulnerabilidade clínica ou estar grávida, e apresentar resultado de teste negativo para a Covid-19 com menos de 24 horas na entrada do estádio.

Porém, as determinações não são bem-vistas por todos. Há casos como a Federação do País de Gales, que pede para que seus torcedores evitem viagens para o Azerbaijão e para a Itália, que foram colocados na lista vermelha dos governos galês e do Reino Unido. Embora viajar para esses países não seja ilegal, é altamente desaconselhável, pois as apólices de seguro de viagem padrão serão anuladas.

Torcedores reclamam

As informações desencontratadas e reclamações das federações geram insatisfação entre os torcedores. À AFP, o franco-alemão Sébastien afirmou ter desistido de viajar por conta da falta de informação concreta.

"Não sei se terei que fazer um teste de PCR, não sei se terei que ser vacinado, se poderei ir para Londres sem precisar cumprir uma quarentena, se a capacidade será de 25, 30 ou 50%. Também não sei se vou poder usar meus ingressos porque ouvi falar de um sorteio", conta.

Isso também influenciou Nassim Tirèche, que viajou à Rússia para a Copa do Mundo, a desistir.

"Eu ia viajar com os amigos com os quais costumamos viajar juntos, mas cancelei tudo. É muito complicado, devolvi todas os ingressos", explica. "Não se sabe se os torcedores vão ao estádio, que são os que dão o clima. Se só tiver metade da capacidade não vai ser igual. A gente vai também por todos os (motivos) extras: você visita lugares, encontra pessoas. Se você não pode sair à noite, não tem certeza de fazer encontros", lamenta.

Principais datas

Fase de grupos: entre 11 e 23 de junho

Oitavas de final: entre 26 e 29 de junho

Quartas de final: dias 2 e 3 de julho

Semifinais: dias 6 e 7 de julho

Final: 11 de julho