Europa avança no desconfinamento e AL supera 400.000 casos de COVID-19

Por Toni CERDÀ, con Pol COSTA en París y las oficinas de AFP en el mundo
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Imagem feita em 11 de maio de 2020 em Cesenatico, na costa do Adriático, no nordeste da Itália, mostra um trator achatar a areia e preparar a praia para a temporada de verão

A Europa continua a avançar, nesta quarta-feira (13), em seu progressivo e cauteloso desconfinamento, diante da pandemia de coronavírus, que já deixou mais de 292.000 mortes em todo mundo, enquanto América Latina e Caribe excederam 400.000 casos nas últimas horas.

A Comissão Europeia apresenta nesta quarta suas recomendações para uma reabertura "gradual" e "sem discriminação" das fronteiras internas da União Europeia (UE) e para o turismo com segurança, uma iniciativa que visa a salvar a lucrativa estação do verão.

"Não será um verão normal, mas se todos fizerem sua parte, não teremos que enfrentar um verão preso em casa, ou totalmente perdido para a indústria do turismo", disse a vice-presidente da Comissão Europeia, Margrethe Vestager.

No plano previsto por Bruxelas, a primeira fase seria a atual, marcada pelo fechamento das fronteiras para viagens "não essenciais". Na segunda, a Comissão propõe levantar restrições entre países e regiões com uma situação de saúde semelhante e melhorando.

A fase final levaria ao levantamento de todos os controles de fronteira no espaço europeu de livre-circulação de Schengen, para o qual Bruxelas pede aos países que levem em conta critérios sociais e econômicos, bem como sanitários.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já alertou que a "dependência" do turismo, que representa mais de 10% do PIB da UE e quase 12% do emprego, vai acentuar o impacto econômico do coronavírus nas economias da Espanha, Itália e Grécia.

Áustria e Alemanha já anunciaram que planejam restabelecer a livre-circulação a partir de 15 de junho na fronteira comum, fechada desde meados de março.

A Alemanha observou que, a partir dessa data, planeja reabrir todas as suas fronteiras.

Outras restrições foram levantadas na França e na Espanha, depois de semanas de confinamento que deixaram a população exausta, e suas economias, paralisadas.

Uma parte das crianças francesas conseguiu voltar às aulas, e algumas praias vão reabrir no próximo fim de semana para caminhadas, ou para a prática de esportes.

Na Espanha, muitas pessoas ficaram felizes por poderem voltar aos bares, com rigorosas medidas de higiene e de distanciamento social.

Na terça-feira (12), as autoridades espanholas decidiram que as pessoas que chegam do exterior terão de passar por uma quarentena de 14 dias.

- Advertência nos Estados Unidos -

Diante de uma catástrofe de saúde global que deixou mais de 292.000 mortos e infectou mais de 4,2 milhões de pessoas, todos os países tentam encontrar um equilíbrio entre as medidas sanitárias e o renascimento da economia, afetada por uma crise sem precedentes.

Nesse sentido, o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) prevê um impacto "maciço" do coronavírus nas economias da Europa Central e Oriental, com uma queda de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

O chefe imunologista da Casa Branca, dr. Anthony Fauci, emitiu um alerta na terça-feira contra as possíveis consequências "muito graves" de uma retomada da atividade econômica prematura nos Estados Unidos, o país mais atingido pela COVID-19, com mais de 82.000 mortos.

O saldo diário voltou a subir nos Estados Unidos na terça-feira, com quase 1.900 óbitos em 24 horas.

As autoridades de saúde de Los Angeles, a segunda maior cidade do país, disseram que as medidas de confinamento provavelmente permanecerão em vigor até o final de julho, a menos que haja uma "grande mudança".

A própria Casa Branca é afetada pela pandemia: o vice-presidente Mike Pence decidiu se afastar por "alguns dias" do presidente Donald Trump, depois que um de seus colaboradores deu positivo para o coronavírus.

- Balanço em alta no Brasil -

No Brasil, o balanço aumenta diariamente. Na terça-feira, o país registrou 881 mortes por coronavírus, totalizando 12.400 óbitos pela pandemia, segundo o Ministério da Saúde.

O Brasil é o país mais atingido na América Latina e Caribe, que nesta quarta-feira superou os 400.000 casos confirmados.

O segundo país com mais casos na América Latina é o Peru (mais de 72.000 infecções e mais de 2.000 mortes), seguido pelo México, o terceiro país com mais casos (38.324), mas o segundo com mais óbitos (3.926).

O Conselho Geral de Saúde do México decidiu levantar progressivamente o confinamento, autorizando atividades como construção, mineração e fabricação de equipamentos de transporte.

Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro estendeu por um mês o "estado de emergência", até 12 de junho.

Apesar do atual confinamento, o fluxo de pessoas nas ruas de Caracas e em outras cidades aumentou nos últimos dias, já que milhões de venezuelanos precisam sair para encontrar trabalho e meios de subsistência, em meio à profunda crise econômica que castiga o país.

- Rússia, segundo país com mais contaminações -

Segundo dados compilados pela AFP, a Rússia se tornou o segundo país do mundo com mais contaminação (mais de 232.000) na terça-feira.

Apesar disso, o presidente Vladimir Putin também aprovou a saída do confinamento, dependendo da situação epidemiológica em cada região.

Já Moscou, principal foco da epidemia com 121.301 casos, estendeu seu confinamento até 13 de maio.

Nesta quarta-feira, as autoridades russas suspenderam o uso de um modelo de respirador que pode estar relacionado a dois incêndios registrados em hospitais com pacientes com coronavírus.

- Mortes inexplicadas na Nigéria -

Sinal do lento retorno à normalidade, o campeonato de futebol alemão será retomado neste sábado. No Reino Unido, na Espanha e na Itália, isso deve acontecer em breve.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou, nesta quarta, que o combate ao coronavírus interrompe a cobertura de saúde e pode ter efeitos devastadores nos países pobres e matar 6.000 crianças por dia nos próximos seis meses.

Até agora, a África esteve relativamente a salvo da pandemia, que oficialmente deixou menos de 2.500 mortos no continente.

Mas as pistas de que este é um número altamente subestimado estão se multiplicando.

Na Nigéria, o aumento acentuado de mortes inexplicáveis no norte do país, o mais populoso da África, suscita temores de uma disseminação significativa do coronavírus nessa região, uma das mais pobres do mundo.

No último mês, a cidade de Kano, com quase 10 milhões de habitantes e oficialmente com apenas 32 mortos pela COVID-19, foi palco de centenas de mortes, principalmente entre idosos.

A princípio, as autoridades atribuíram a mortalidade a doenças como diabetes, hipertensão e malária, mas os resultados de uma missão oficial concluíram que muitos óbitos estavam relacionados ao coronavírus.

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