Europa avança na reabertura; AL supera um milhão de casos de COVID-19

Por Romain COLAS com Mariano ANDRADE em Paris e as redações da AFP no mundo
Homem com equipamento de proteção durante enterro de vítima do coronavírus em cemitério de Breves, na ilha de Marajó, região norte do Brasil, em 30 de maio de 2020

Da reabertura do Coliseu em Roma à retomada das atividades nos estabelecimentos comerciais da Rússia, a Europa deu mais um passo nesta segunda-feira (1o) para uma espécie de retorno à normalidade ante a pandemia de coronavírus, que continua avançando na América Latina, com um milhão de casos de COVID-19, metade deles no Brasil.

Mais de 6,1 milhões de casos do novo coronavírus foram declarados oficialmente no mundo, quase dois terços na Europa e nos Estados Unidos, de acordo com um balanço da AFP. A pandemia já provocou mais de 372.000 mortes.

O foco agora é a América Latina, que superou no domingo a barreira simbólica de um milhão de casos, em particular no Brasil, país com 514.849 contágios e mais de 29.000 mortes.

Com 210 milhões de habitantes, o país é cenário de uma grande tensão política, já que o presidente Jair Bolsonaro se opõe ao confinamento decretado por vários governadores e prefeitos.

No domingo, em seu mais recente desafio, ele se aproximou de seus apoiadores em Brasília, sem usar máscara, embora tenha evitado apertar as mãos, enquanto em São Paulo aconteceram confrontos entre manifestantes opostos a Bolsonaro e seguidores do presidente contrários às medidas de confinamento impostas no estado.

A pandemia avança com velocidade no continente.

Com 120 milhões de habitantes, o México tem mais de 90.000 casos declarados e se aproxima de 10.000 mortes. O Peru, de 33 milhões de habitantes, registra quase 4.500 vítimas fatais, mas é o segundo país latino-americano em número de casos de COVID-19, com 164.476 infectados

Ontem, o Chile superou a marca de 1.000 óbitos e se aproxima de 100.000 contágios. O país, de 18 milhões de habitantes, registrou uma brusca mudança de cenário da doença nas últimas duas semanas.

- Rússia flexibiliza confinamento -

O panorama sombrio contrasta com o que acontece na Europa, onde foram registradas 178.080 mortes e mais de 2,1 milhões de contágios, mas onde agora a situação parece caminhar para a normalidade.

Apesar de um recente aumento do número de novos casos diários, Moscou flexibilizou as restrições mais um pouco nesta segunda-feira. Assim, após mais de dois meses de fechamento, o governo autorizou a abertura de estabelecimentos comerciais não essenciais.

Os moradores da capital russa podem sair para passear, mas sempre de máscara e respeitando um sistema de horários.

Embora viajar de um país para outro seja praticamente impossível, os locais turísticos mais importantes voltaram a abrir as portas na Europa. Nesta segunda-feira foi a vez do Museu Guggenheim de Bilbao (Espanha), do Grande Bazar de Istambul (Turquia), com suas 3.000 lojas e 30.000 comerciantes, e do Coliseu de Roma, iluminado para a ocasião com as cores da bandeira da Itália.

Conhecido por seu edifício sinuoso de vanguarda, projetado pelo arquiteto Frank Gehry, o Guggenheim será aberto com horário reduzido, das 14h às 19h, no mês de junho.

A Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia, com mais de 27.000 vítimas fatais, decretou um confinamento rígido em 14 de março.

Para a Itália, a reabertura do Coliseu, após outros monumentos e pontos históricos nos últimos dias, deve ajudar na recuperação do setor crucial do turismo, muito afetado pelo coronavírus, que deixou mais de 33.000 mortos no país.

- Polêmica na Inglaterra -

Na Inglaterra, as escolas, fechadas desde meados de março, voltaram a receber alunos de 4 a 6 anos e de 10 a 11, apesar das críticas dos sindicatos de professores e dos governos locais que consideram a decisão apressada.

"Não podemos prometer realmente aos pais que suas crianças permanecerão a dois metros umas das outras o tempo todo", afirmou Bryony Baynes, diretora de uma escola do ensino básico de Worcester (oeste da Inglaterra).

Apesar do temor de uma segunda onda, a sensação de volta da normalidade também inclui Finlândia (reabertura de restaurantes, bibliotecas e de outros locais públicos), Grécia (jardins de infância e escolas do ensino básico), Romênia (cafés, restaurantes e praias), assim como Albânia, Noruega e Portugal.

Os franceses aguardam com impaciência a reabertura dos cafés e restaurantes na terça-feira, assim como o fim da proibição de deslocamentos a mais de 100 quilômetros de suas casas.

Na Ásia, a imprensa estatal informou que a Coreia do Norte reabriu as escolas, após dois meses de fechamento. Pyongyang não informou nenhum caso de COVID-19, o que provoca suspeitas entre os especialistas.

- Várias frentes para Trump -

Nos Estados Unidos, país mais afetado do planeta, com mais de 104.000 mortos e 1,77 milhão de casos, o presidente Donald Trump não enfrenta apenas uma gigantesca crise de saúde, mas também uma explosão de protestos e distúrbios em várias cidades após a morte de um cidadão negro em uma ação policial.

A pandemia provocou 598 mortes nos Estados Unidos no domingo, segundo o balanço da Universidade Johns Hopkins.

As medidas de confinamento provocaram protestos em países como Estados Unidos, Espanha e Argentina, com o aumento da pressão sobre os governos para a retomada de setores econômicos cruciais.

A Venezuela, onde o novo coronavírus provocou oficialmente 1.459 casos e 14 mortes (números questionados por especialistas), anunciou um plano de flexibilização da quarentena que o presidente Nicolás Maduro chamou de "5 mais 10".

O plano consiste em alternar cinco dias de retomada das atividades econômicas em diferentes setores, com medidas de precaução como o uso de máscaras, com dez dias de quarentena.