Europa barra exportação de equipamentos médicos para combater coronavírus

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Com o crescimento acelerado do número de doentes por causa do coronavírus na Europa, a União Europeia proibiu a exportação de equipamentos médicos e de proteção.

Eles só poderão sair do bloco europeu em casos excepcionais, com autorização autorização especial da Comissão Europeia, o Poder Executivo da UE.

O anúncio, feito neste domingo (15) pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, acompanha medidas de urgência tomadas pelos países mais atingidos para reforçar os hospitais, principalmente com equipamentos de ventilação.

Eles são fundamentais para tratar os de 5% a 10% dos casos que se tornam mais graves e exigem internação em UTIs (a máquina empurra oxigênio para o pulmão dos pacientes).

Assim como no Brasil, países europeus não têm leitos de UTI suficientes para atender a um número muito grande de doentes graves, principalmente nas áreas mais pobres.

Na Itália, que tem o maior número de doentes (mais de 20.000 até a 0h deste domingo) e de mortes (1.441), hospitais estão com a capacidade esgotada e médicos já relataram à mídia que têm sido obrigados a escolher quem usará a ajuda respiratória.

Mesmo com os planos de quadruplicar sua produção, o único fabricante italiano de respiradores não tem conseguido suprir a demanda dos hospitais, que registram 1.518 casos de doentes graves.

O governo italiano vai mandar funcionários treinados do Exército para reforçar a produção.

Von der Leyen afirmou que a UE também vai incentivar a produção de equipamentos médicos e pediu que os membros colaborem entre si: "Hoje é a Itália que há necessidade, mas no futuro serão outros. precisamos nos ajudar e repartir nossos recursos".

Alguns países do bloco criticaram vizinhos, que deixaram de entregar máscaras de proteção e outros equipamentos já contratados.

A Alemanha, que tem apenas 2 mortes registradas em 5.426 casos da doença, ordenou a produção de 10 mil novos respiradores.

O país é um dos mais bem equipados em termos de saúde, com 25 mil aparelhos já instalados e um total de 29 mil vagas em UTIs.

No Reino Unido, cujo sistema público já vinha enfrentando falta de mão de obra e estrutura desde o ano passado, o governo requisitou aos fabricantes que aumentem a produção.

O país tem no total 5.000 respiradores, número insuficiente para atender à pandemia, segundo o governo.

A presidente da Comissão Europeia também criticou o fechamento desordenado de fronteiras, que já atinge ao menos 15 países no continente: "É preciso manter o fluxo de mercadoria sem obstáculos. Barrar as fronteiras não só prejudica o comércio e o abastecimento como agrava a crise sanitária".

A UE vai apresentar nesta segunda aos membros novas regras para combater a doença no bloco.