Paris e Berlim propõem plano de recuperação econômica por pandemia

Por Alexandria SAGE, con Esther SÁNCHEZ en París y las oficina de la AFP en el mundo
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Ciclistas no centro de Roma, em 16 de maio de 2020

França e Alemanha propuseram nesta segunda-feira (18) um plano de recuperação econômica de 500 bilhões de euros para lidar com o impacto da COVID-19, que fez o continente europeu mergulhar numa recessão histórica, além de causar mais de 316.000 mortes em todo o mundo.

O mundo espera uma cura para conter a epidemia e o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu que, se a China a encontrar, será um "bem público global".

Por outro lado, após semanas de controvérsia sobre uma questão que confrontava os países do norte e do sul da Europa e que ameaçava fraturar a coesão da União Europeia, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, abriram caminho para uma mutualização da dívida no bloco.

Os dois líderes propuseram que a Comissão Europeia financie e apoie a recuperação econômica recorrendo aos mercados financeiros "em nome da UE" e depois repasse esse dinheiro aos países europeus e "aos setores e regiões mais afetados".

As bolsas da Europa reagiram positivamente a esses anúncios, com fortes altas (5,6% em Frankfurt, 5,1% em Paris, 4,7% em Madri, 4,29% em Londres e 3,26% em Milão).

Agora, Paris e Berlim precisam convencer todos os Estados-membros da UE sobre a medida. A Áustria já alertou que a ajuda do bloco é sob a forma de empréstimos e não de doações.

Já a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, aplaudiu a iniciativa e disse que a proposta era "ambiciosa, focada e bem-vinda".

- Resultados encorajadores para uma vacina -

Enquanto isso, em Genebra, o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, disse nesta segunda durante a reunião anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), com a participação por videoconferência de representantes de 194 países, que o mundo está pagando um "preço alto" por essas estratégias divergentes contra a pandemia.

Após a escalada das tensões entre Washington e Pequim, os participantes esperavam adotar por consenso uma resolução proposta pela UE para pedir um "processo de avaliação" das medidas tomadas pela organização contra o coronavírus.

Para o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, a OMS "não conseguiu obter as informações de que o mundo precisava e seu fracasso custou muitas vidas".

Mais tarde, o presidente americano, Donald Trump, foi mais longe e acusou a OMS de ser "uma marionete da China".

Além disso, ameaçou congelar permanentemente o envio de verbas americanas para a Organização Mundial da Saúde, a menos que "melhorias substanciais" fossem feitas nos próximos 30 dias.

Nesta segunda, Trump postou no Twitter imagens de uma carta que enviou ao diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informando que "se a Organização Mundial da Saúde não se comprometer com grandes melhorias substanciais nos próximos 30 dias, irei congelar temporariamente o financiamento dos Estados Unidos para a Organização Mundial da Saúde e reconsiderar nossa participação na organização".

Trump, que teve assessores contaminados pela COVID-19, revelou que tomava hidroxicloroquina "há uma semana e meia", com a aprovação do médico da Casa Branca e enfatizou que "não tem sintomas" da doença. "Eu tomo uma pílula todos os dias", disse para a imprensa.

Nesse contexto tenso, Tedros Adhanom Ghebreyesus prometeu nesta segunda promover uma investigação "independente" sobre a resposta que a agência da ONU e seus Estados-membros deram à pandemia, que surgiu no final de dezembro na China "o mais rápido possível, no momento apropriado".

Nos Estados Unidos, o país mais atingido pelo coronavírus, com 90.309 mortes e 1.508.168 infectados, a empresa de biotecnologia Moderna , uma das mais avançadas na corrida pela vacina, anunciou os encorajadores resultados preliminares de sua vacina experimental em oito voluntários, antes de realizar testes em larga escala em julho.

Enquanto espera por um remédio, o mundo tenta retomar a atividade econômica asfixiada, à medida que a COVID-19 continua avançando, especialmente no Brasil, Índia ou África do Sul, e o medo de uma segunda onda de infecções persiste.

- Cafés reabertos -

Em Michigan (EUA), as linhas de montagem de automóveis retomaram a atividade pela primeira vez em dois meses, com funcionários usando máscaras e passando por controles de temperatura constantes, seguindo também protocolos de distanciamento social.

Na Rússia, o segundo país do mundo no número de casos detectados, embora as autoridades afirmem que conseguiram "interromper o crescimento" das novas infecções, a situação varia dependendo da região.

O presidente Vladimir Putin admitiu nesta segunda que o Daguestão está enfrentando sérias dificuldades, com centenas de mortes registradas nesta república empobrecida do Cáucaso, provavelmente devido à COVID-19.

O Japão, a terceira maior economia do mundo, entrou formalmente em recessão com um segundo trimestre consecutivo de contração.

O governo japonês também anunciou que fechou a visitação ao monte Fuji, cartão postal do país.

Enquanto isso, a Europa, o continente mais afetado, continuou a avançar em direção ao fim do confinamento.

Na Itália, onde a pandemia deixou 32.000 mortos, os tradicionais cafés reabriram e a Basílica de São Pedro voltou a receber visitantes.

Na capital da Grécia, a Acrópole, outro ponto turístico do continente, também reabriu.

"Nunca vimos tão poucas pessoas na Acrópole. É como se tivéssemos uma visita particular", disse um cidadão russo, que vive em Atenas há cinco anos.

Em Roma, Raimondo Ricci, chefe do San Eustachio Il Caffe, repreendeu um dos seus garçons por ter perdido as habilidades após mais de dois meses de inatividade: "Você não sabe mais o que está fazendo!"

A Espanha, outra nação gravemente atingida pelo vírus, onde morreram 27.709 pessoas, também está reduzindo as medidas de confinamento e, com 70% da população sob restrições mais leves, embora Madri e Barcelona ainda seguindo ordens severas.

Em todo o mundo, medidas de distância social são impostas, na tentativa de conter infecções.

Em Nova York, círculos gigantes foram montados em um parque do Brooklyn para que as pessoas pudessem descansar na grama em total segurança.

Na Índia, onde o confinamento durou até o final de maio devido ao aumento diário de casos, as autoridades indicaram que a quarentena poderia ser amenizada em alguns casos para "facilitar a atividade econômica".

De Portugal ao Azerbaijão, passando pela Dinamarca ou Alemanha, vários países reabriram seus restaurantes, cafés e esplanadas nesta segunda-feira, como o famoso Biergarten na Baviera, no sul da Alemanha.

- "Tirania do isolamento total" -

Na América Latina e no Caribe, o número de mortos pela COVID-19 é de quase 30.000 mortes, sendo mais da metade delas no Brasil.

O gigante latino-americano atingiu 16.792 óbitos, com 254.220 casos, embora os especialistas considerem que as estatísticas ocultam uma realidade muito mais trágica.

O presidente Jair Bolsonaro culpou o confinamento e a paralisação por danificar desnecessariamente a economia brasileira e desafiou novamente as medidas de distanciamento social e as recomendações de especialistas, enquanto as autoridades regionais alertam contra o colapso do sistema de saúde.

Em São Paulo, com mais de 35.000 casos e quase 3.000 falecidos, o secretário de Saúde do estado informou que as mortes aumentaram 432% em cinco semanas e alertou que o sistema de atendimento hospitalar poderá entrar em colapso em 15 dias se essas taxas continuarem a subir.

O Equador, um dos países latino-americanos mais atingidos - com quase 34.000 casos, incluindo cerca de 2.800 mortes -, relatou o primeiro caso de COVID-19 em uma de suas tribos na Amazônia, uma jovem grávida de 17 anos da etnia Waorani.

Enquanto isso, a prefeita de Guayaquil, foco da pandemia no país, anunciou que na quarta-feira começará a aliviar as medidas de confinamento.

No Chile, os moradores de um bairro populoso no sul de Santiago enfrentaram a polícia nesta segunda-feira, protestando contra a falta de comida e trabalho devido à crise causada pelo coronavírus, que mantém a capital chilena em quarentena total.

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