Europa deve enfrentar nova onda de Covid com o fim das férias de verão

REUTERS - STEPHANE MAHE

A União Europeia alerta sobre nova onda de Covid na Europa e lança uma estratégia visando o outono e o inverno para que o hemisfério norte se prepare com antecedência. Quais são as recomendações das autoridades de saúde no continente e a atual situação de contágio nos principais países do bloco europeu?

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

As autoridades sanitárias alertam para a chegada de uma nova onda de Covid-19 na Europa. Esta semana, foi a vez da comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, soar o alarme e dizer que os governos europeus deveriam começar a se preparar agora para o outono e inverno. Ou seja, em três meses a Europa provavelmente vai enfrentar uma nova onda do coronavírus.

“Infelizmente, a pandemia tem mostrado um aumento preocupante em vários países do bloco”, declarou. Kyriakides afirmou que “nós estamos nos preparando para os meses mais frios do ano, plenamente conscientes de que a nova onda da pandemia não deveria sobrecarregar ainda mais nossas economias ou nossas sociedades, já afetadas pela guerra na Ucrânia e pela inflação.” A Comissão Europeia já autorizou os países do bloco a iniciarem a 2ª dose de reforço – a 4ª. dose da vacina contra a Covid-19 em pessoas acima de 60 anos e pessoas com patologias associadas que predispõem a formas graves.

Esses meses que antecedem a chegada do outono – em outubro – devem ser preparatórios. “Assim nossos sistemas de saúde estarão prontos para possíveis novas ondas que podem, por exemplo, ser combinadas com a gripe sazonal”, explicou a responsável europeia.

Alerta inicial da OMS

A OMS (Organização Mundial da Saúde) foi a primeira a alertar sobre uma nova onda de coronavírus na Europa. Atualmente, o continente europeu vive uma situação semelhante à do verão de 2021 no hemisfério norte.

O diretor do escritório regional da OMS na Europa, Hans Henri P. Kluge, pediu aos governos que se preparem para o outono e do inverno. Para Kluge, o aumento dos casos e das hospitalizações, onde a variante Ômicron prevalece, só deve aumentar exponencialmente “quando as escolas reabrirem (em setembro), as pessoas voltarem de férias e a interação social dentro de casa crescer.” A OMS acredita que os trabalhadores de saúde, que já estão sob uma enorme pressão para lidar com crises recorrentes desde 2020, terão um grande desafio pela frente.

A estratégia recomendada pela OMS envolve aumentar a taxa de vacinação, administrar uma segunda dose de reforço a pessoas com mais de cinco anos de idade cuja imunidade esteja comprometida e também para os grupos de risco. A OMS ainda aconselha o uso de máscaras nos transportes públicos e locais fechados e insiste na adoção de medidas de proteção individual como o uso de máscaras, ventilação, lavagem de mãos e vacinação.

Situação atual da pandemia na Europa

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os casos de Covid-19 na região europeia triplicaram nos últimos dois meses. Recentemente, foram registrados 3 milhões de novas contaminações, o que é quase metade de todos os casos no mundo inteiro. Enquanto as hospitalizações por Covid-19 aumentaram, as admissões nas UTIs permanecem relativamente baixas.

As taxas de infecção nos grupos etários mais velhos continuam crescer e a Europa atualmente registra cerca de 3 mil mortes por Covid-19 a cada semana. O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças informou que o número de infecções em pessoas acima de 65 anos aumentou 18%.

Na França, o último boletim epidemiológico divulgado pela Agência Nacional de Saúde Pública do país, mostra que a circulação do SARS-CoV-2 diminuiu, mas os indicadores virológicos se mantêm em um nível bastante alto, assim como o aumento do número de mortes.

Na Alemanha, onde 72,6% da população foi vacinada, o Instituto Robert Koch (RKI) informa em seu relatório diário 145.472 mil novos casos e 187 mortes associados ao surto de Covid, apenas ontem. Desde o início de 2020, um total de 30 milhões de infecções foram confirmadas no país. Já a Itália, registrou ontem o maior número de óbitos por Covid - 253 mortes - em cinco meses. No entanto, os casos de contágio no país seguem em queda.

Em Portugal, que no mês passado apresentava a incidência mais elevada na Europa das subvariantes BA.4 e BA.5, o Instituto Ricardo Jorge (INSA) revelou que a média de infecções diminuiu para 7.690 casos diários no país e o índice de transmissibilidade do coronavírus SARS-CoV-2 mantêm-se abaixo do limiar de 1 e sem alterações significativas.

Já a Espanha, que está recebendo um número recorde de turistas após dois anos de restrições sanitárias, confirmou quase 40 mil novos casos nas últimas 48 horas. Segundo o Ministério da Saúde espanhol, o país registra oficialmente apenas casos de Covid-19 em pacientes com mais de 60 anos.

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