Europa e parte dos Estados Unidos iniciam saída cuidadosa do confinamento

Por Pauline FROISSART, con Hervé BAR en París y las oficinas de AFP en el mundo
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Metrô

Passageiros mantêm distância em pé em círculos azuis no chão em estação de metrô San Giovani, em Roma, em 27 de abril de 2020

Vários países europeus e dez estados americanos iniciaram nesta segunda-feira (27) uma saída cuidadosa do confinamento imposto para conter o avanço do novo coronavírus, a única medida encontrada até agora para combater a pandemia que causou mais de 200.000 mortes no mundo.

Mais de três milhões de infecções foram registradas em todo o mundo, cerca de 80% na Europa e nos Estados Unidos, segundo uma contagem da AFP com base em dados oficiais.

Dada a magnitude da pandemia, o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o balanço de vítimas poderia ser menor se o mundo "tivesse ouvido atentamente" a instituição.

Ghebreyesus lembrou que havia apenas 82 casos fora da China e nenhuma morte quando a OMS alertou sobre o coronavírus em 30 de janeiro. A organização então recomendou que "os infectados fossem encontrados, testados e isolados, assim como todos os que tiveram contato com esses pacientes" disse o diretor.

Segundo ele, "os países que seguiram essas recomendações estão melhores que os outros. É um fato".

Os Estados Unidos, que criticam o desempenho da OMS durante a pandemia e suspenderam sua contribuição para o orçamento da organização, não estão entre os menos afetados. Ao contrário, com quase um milhão de casos registrados (987.022 infectados) e mais de 56.000 mortes, são de longe o país mais atingido pela COVID-19.

Mas, diante do impacto econômico das medidas de quarentena, dez estados do país começaram a relaxar o confinamento nesta segunda-feira.

- Falta de testes -

Restaurantes na Geórgia reabriram nesta segunda-feira, após a abertura das praias no fim de semana, apesar das críticas de especialistas que defendem que o distanciamento social ainda é necessário para diminuir a propagação.

"Precisamos de toque humano, contato humano", disse Kim Kaseta, 64 anos, entusiasmada por voltar ao restaurante onde costumava tomar café da manhã em Atlanta, onde os garçons e os cozinheiros trabalhavam usando máscaras.

Autoridades do Tennessee também permitiram a reabertura de restaurantes nesta segunda-feira e o governador do Texas, Greg Abbott, anunciou que lojas, restaurantes, cinemas, shopping centers, museus e livrarias poderão reabrir na sexta-feira com uma capacidade permitida de 25%.

Alasca, Oklahoma, Minnesota, Mississippi, Colorado e Carolina do Sul também começaram a permitir algumas atividades.

Essas decisões são tomadas apesar dos pesquisadores de Harvard e do site especializado em saúde Stat alertarem que a maioria dos estados americanos não tem capacidade suficiente para detectar casos para propor um relaxamento das ordens de permanecer em casa após o 1º de maio.

Em Nova York, epicentro da pandemia do país, o confinamento permanecerá em vigor até pelo menos 15 de maio, decisão aprovada por 87% da população do estado.

- Europa -

Na Europa, onde a pandemia deixou mais de 1.400.000 casos e mais de 126.000 mortes, a doença começa a parecer sob controle nos quatro países mais afetados: Itália, Espanha, França e Reino Unido.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que voltou ao trabalho nesta segunda-feira depois de se recuperar da COVID-19, pediu paciência à população. Ele observou que a curva epidêmica "começa a inverter" a tendência, mas que é preciso continuar respeitando o confinamento.

Johnson prometeu medidas "nos próximos dias", mas recusou "desperdiçar os esforços e sacrifícios" dos britânicos "e arriscar uma segunda grande epidemia".

O Reino Unido registrou 360 mortes nesta segunda-feira, seu menor número diário desde março.

Na Espanha, onde 331 mortes foram anunciadas nesta segunda-feira, as autoridades afirmam que o país já dobrou a curva de contágio e começaram no domingo a suavizar o confinamento rigoroso em vigor desde 14 de março, permitindo que as crianças possam brincar ou passear nas ruas uma hora por dia com um dos pais.

O confinamento foi prorrogado até 9 de maio, e o governo de Pedro Sánchez apresentará na terça-feira um plano para suspender progressivamente as restrições.

Na Alemanha e também na Áustria, grande parte das lojas foi aberta nos últimos dias, com pedidos de "distanciamento social" e a obrigação de usar máscara em locais públicos.

Na França, onde 437 mortes foram registradas em 24 horas nesta segunda-feira, o primeiro-ministro Edouard Philippe vai anunciar na terça-feira a "estratégia nacional do plano de saída do confinamento", que deve começar em 11 de maio com a polêmica reabertura das escolas.

A Itália, onde as indústrias estratégicas retomaram suas atividades timidamente nesta segunda-feira, apresentou seu plano de desconfinamento a partir de 4 de maio, embora as escolas permaneçam fechadas até setembro, como na Romênia.

- Volta às aulas na China -

Na China, onde o coronavírus surgiu no final de 2019, estudantes do ensino médio em Pequim e Xangai voltaram às aulas nesta segunda-feira sob medidas de alta segurança, uso de máscaras e controle de temperatura, depois de quatro meses de férias devido à pandemia.

"Estou feliz, muito tempo sem ver meus colegas de classe", disse Hang Huan, 18 anos, à AFP com um sorriso em frente à Escola Chenjinglun, no leste da capital chinesa. "Eu senti muita falta deles".

A maioria das escolas primárias e universidades do país ainda está fechada.

A China conseguiu conter a propagação do vírus, que oficialmente deixou 4.633 mortos no país. Mas agora teme uma segunda onda de contaminação com os casos "importados", principalmente dos chineses que retornam ao país.

Nos mercados, o preço do barril de petróleo dos EUA caiu de novo nesta segunda-feira, pressionado pela saturação das estruturas de armazenamento e em meio a tensões entre os países produtores.

- Preocupação com o Estado de Direito -

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta segunda-feira aos países que respeitem o Estado de Direito, limitando no tempo medidas excepcionais contra o coronavírus para evitar um "desastre" para os direitos humanos.

Bachelet também pediu a Bangladesh que permita a entrada de dois navios com centenas de refugiados muçulmanos rohingyas.

No Peru, que registrou cerca de 730 mortes, o confinamento deve durar até 10 de maio, embora o presidente Martín Vizcarra tenha alertado que a medida não é respeitada. "Ainda não há uma consciência real da magnitude do problema", disse ele.

No Brasil, o cacique Raoni Metuktire, figura importante na luta contra o desmatamento na Amazônia, fez um apelo internacional por doações no domingo, para que os povos indígenas brasileiros possam sobreviver isolados durante a pandemia.

o mundo muçulmano entrou no quarto dia do Ramadã nesta segunda-feira,mas sem orações coletivas ou refeições compartilhadas, já que as mesquitas estão fechadas e as reuniões familiares proibidas, embora em países como o Paquistão muitos ignorem essas medidas.

A Arábia Saudita suspendeu parcialmente o toque de recolher nesta segunda-feira, exceto na cidade sagrada de Meca.