Europa prepara seus bancos para eventual default da Grécia

DESTAQUES EM ECONOMIA

Os representantes europeus disseram neste sábado que houve "avanços" nas negociações dos ministros das Finanças europeus para encontrar uma saída à crise e estimaram em cerca de 108 bilhões de euros o capital necessário para que os bancos possam fazer frente às perdas e evitar o contágio no caso de uma eventual quebra da Grécia.

Apesar das medidas preventivas em relação aos bancos, tanto a chanceler alemã, Agela Merkel, quanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disseram-se otimistas em relação à zona do euro.

"Falei com a chanceler, há avanços", disse Sarkozy à imprensa em Bruxelas, antes de reunir-se com Merkel e os principais responsáveis europeus.

A chanceler alemã felicitou neste sábado os "avanços" nas reuniões dos ministros das finanças europeus para salvar a Eurozona, mas advertiu que nenhuma decisão será tomada antes da reunião de quarta-feira.

"Os ministros das Finanças (reunidos neste sábado em Bruxelas) fizeram avanços", disse Merkel. Contudo, "não haverá nenhuma decisão definitiva antes de quarta-feira", durante a reunião europeia, disse ela, a margem da reunião de ministros de Economia dos 27 países da UE.

"Serão negociações difíceis. Por isso é que França e Alemanha devem ser ativos na preparação", disse a líder alemã.

A agenda de Merkel inclui um jantar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, para encontrar uma solução definitiva à crise da dívida.

"Não haverá decisões definitivas amanhã (domingo) durante a reunião da Eurozona já que são negociações muito difíceis tecnicamente", disse.

A Eurozona celebra no domingo uma reunião que será seguida por outra na quarta-feira 26 de outubro.

"Temos uma ideia mais realista da situação na Grécia e vamos trazer os elementos necessários para proteger a Eurozona".

Os países da União Europeia estimam que haja uma recapitalização de seus bancos em cerca de 108 bilhões de euros para enfrentar a crise da dívida e um eventual default da Grécia, disse neste sábado à AFP uma fonte próxima às negociações.

Durante a reunião em Bruxelas, os ministros das finanças europeus estimaram entre "107 bilhões ou 108 bilhões de euros" o volume a ser injetado nos bancos e estipularam em 9% o capital básico (tier I) que será exigido aos bancos, disse a fonte.

Até agora era estimado entre 80 bilhões e 100 bilhões de euros o volume necessário para que os bancos europeus aumentassem seus fundos de reserva e amortizassem o choque de uma quebra grega.

O acordo final, no entanto, não poderá ser finalizado neste sábado. A decisão recairá sobre os chefes de Estado e de Governo da União Europeia que se reúnem no domingo em uma primeira reunião em Bruxelas, segundo uma fonte diplomática europeia.

A recapitalização dos bancos, considerada necessária para evitar o contágio da crise da dívida que sacode a zona do euro, também depende das negociações que se realizam em paralelo para aumentar a capacidade de ação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

Nesse ponto, as negociações são difíceis, devido às disparidades entre França e Alemanha.

Segundo os europeus, os bancos que necessitarem de uma injeção de capital para cumprir os novos requisitos de fundos própios terão que tentar fazê-lo por seus próprios meios, antes de pedir ajuda aos governos nacionais e, como último recurso, ao FEEF.

Em meio às novas propostas, o chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, propôs neste sábado que, no futuro, os países da Eurozona que não cumprirem a meta de déficit sejam levados ao Tribunal de Justiça Europeu, mediante uma mudança no tratado da União Europeia.

"Não basta nos contentarmos em administrar a crise atual" da dívida, "temos que nos assegurar também que o que temos vivido nestes últimos meses não irá se produzir de novo", declarou à imprensa em Bruxelas.

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