Europa supera a Ásia em número de mortes provocas pelo coronavírus

Homem com máscara de proteção caminha por rua deserta da cidade francesa de Estrasburgo

A Europa superou nesta quarta-feira (18) a Ásia em número de mortes provocadas pelo coronavírus e a epidemia continua avançando pelas ruas desertas do continente e do resto do mundo, apesar das medidas de confinamento decretadas, que deixam metade dos estudantes do mundo sem aulas.

A Europa registra 3.421 mortes, contra as 3.384 vítimas fatais da Ásia, onde surgiu a epidemia. A Itália é o país europeu mais afetado, com 2.503 falecimentos. Em todo o mundo, a pandemia já matou mais de 8.000 pessoas e infectou mais de 200.000, de acordo com um balanço da AFP que contabiliza dos dados oficiais.

Milhões de pessoas em dezenas de países e regiões continuam confinadas em suas casas. A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) informou nesta quarta-feira que metade dos estudantes do mundo, ou seja, mais de 850 milhões de crianças e adolescentes, estão sem aulas devido à pandemia.

Com o fechamento total de escolas e universidades em 102 países e o fechamento parcial em outros 11 em consequência da pandemia do COVID-19, o número de estudantes sem aulas dobrou em quatro dias e deve continuar aumentando, destacou a Unesco.

Em países europeus como Itália, Espanha e França, o confinamento é praticamente total. A Bélgica se uniu nesta quarta-feira à lista de países que decretara o isolamento a população.

As autoridades permitem a saída apenas para a compra de alimentos ou remédios, para o trabalho - nos casos em que o trabalho remoto é impossível - ou para breves passeios com os cães, que viraram uma espécie de "salvo-conduto" para sair de casa.

Qualquer tentativa de burlar o confinamento pode ser punida com multa. Na cidade espanhola de Palencia, por exemplo, um homem foi repreendido pela polícia por passear com um cachorro de pelúcia.

- "O mais duro está por vir" -

Nesta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu que os líderes políticos subestimaram a magnitude do perigo representado pela epidemia do novo coronavírus.

"Entendemos que todas as medidas, que há duas ou três semanas pareciam drásticas e draconianas, deveriam ser tomadas", afirmou em uma entrevista.

Na Espanha, o quarto país mais afetado no planeta, com mais de 13.700 casos confirmados e 598 mortes, o primeiro-ministro Pedro Sánchez advertiu que os próximos dias serão mais duros.

"O mais duro ainda está por vir, quando nosso sistema sanitário receber o impacto do maior número de pessoas infectadas, com os dias de isolamento prolongados, quando se manifestarem as consequências econômicas da pandemia do novo coronavírus", afirmou o chefe de Governo.

Na França, que nesta quarta-feira passa pelo segundo dia de confinamento total, os emblemáticos locais turísticos de Paris estavam desertos. O governo teve que recordar às empresas e cidadãos que o país não poderia ser totalmente paralisado e que os setores essenciais da economia tinham que seguir trabalhando para proporcionar, por exemplo, alimentos à população.

Na Itália, concretamente na região da Lombardia (norte), a mais afetada pela pandemia, as autoridades começaram a vigiar os cidadãos por seus smartphones, já que as estimativas são de que apenas 60% da população respeita a ordem de permanecer em casa. O país já registrou mais de 3.400 mortes provocadas pelo vírus.

Na América Latina, com mais de 1.200 contágios e nove mortes confirmadas, o Chile, que registra quase 200 casos de contágio, decretou "estado de catástrofe" e enviou os militares às ruas.

Colômbia e Bolívia anunciaram emergência sanitária. Na Argentina os voos domésticos, viagens de ônibus e trens de longa distância foram interrompidos durante cinco dias para evitar a circulação interna de turistas.

No Brasil, com 290 casos confirmados, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que existe uma "certa histeria" nas reações mundiais à pandemia.

- Ajudas que não tranquilizam os mercados -

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump fará novos anúncios nesta quarta-feira sobre as medidas que o país está adotando para enfrentar a pandemia. No Twitter, ele já anunciou o fechamento da fronteira com o Canadá ao tráfego não essencial. "O comércio não será afetado", destacou.

O presidente já antecipou na terça-feira a intenção de assumir o encargo da recuperação econômica, com um programa de ajuda "ousado e muito importante" destinado às empresas americanas sob risco de colapso, da ordem de 850 bilhões de dólares no mínimo.

Na Europa, o Banco Central (BCE) proporcionou mais de 100 bilhões de euros em liquidez aos bancos.

Apesar de todos os estímulos financeiros, as Bolsas permaneciam em queda e os preços do petróleo voltaram a registrar queda expressiva, recuando aos níveis de 2002 e 2003.

A Arábia Saudita pediu uma reunião extraordinária "virtual" dos líderes das 20 principais economias mundiais (G20) na próxima semana.

Além da economia, outro efeito colateral da pandemia é o cancelamento de eventos esportivos e culturais.

Nesta quarta-feira foram anunciados os cancelamentos do festival de música de Glastonbury, no Reino Unido, que aconteceria em junho, e do festival da canção Eurovision, previsto para maio.

No mundo do esporte, os olhares estão voltados para o Comitê Olímpico Internacional (COI), que ainda não tomou uma decisão sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio, previstos para julho e agosto.

- China retoma a vida normal -

Enquanto a Europa sofre o pico da pandemia, na China, berço do novo coronavírus, o pior parece ter ficado para trás e a vida retorna ao normal aos poucos.

As autoridades de saúde anunciaram nesta quarta-feira apenas um novo contágio local e 12 casos importados. Há um mês, a China tinha milhares de contaminados por dia. No total, o país registrou 80.894 pessoas infectadas, com 3.237 mortos e 69.601 completamente curados.

"Durante a epidemia todos estavam com muito medo. Agora temos que relaxar", explica Wang Huixian, de 57 anos, de máscara, que compareceu a uma aula de dança ao ar livre em Pequim, onde a distância entre os participantes é de três metros.

Em Xangai, coração econômico da China, os cafés e algumas atrações turísticas voltaram a abrir as portas.

"Agora está tudo bem. Não como nos outros países, onde as pessoas atacam os supermercados", afirmou o empresário, Zhang Min.

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