Reino Unido isolado por nova cepa do coronavírus; Europa aprova vacina Pfizer/BioNTech

Anna CUENCA, com Beatriz LECUMBERRI em Paris e redações da AFP
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Estação ferroviária internacional de St Pancras, em Londres, ponto de chegada e partida do Eurostar, vazia em 20 de dezembrop de 2020

O Reino Unido ficou isolado nesta segunda-feira (21) devido ao surgimento de uma nova cepa mais infecciosa do coronavírus, enquanto a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou, como esperado, a vacina da Pfizer/BioNTech.

Boa parte da União Europeia e países como Colômbia, Chile, Canadá e Arábia Saudita suspenderam ou restringiram os voos do Reino Unido. A lista de países que tomaram essa medida aumenta com o passar das horas, assim como a sensação de caos e preocupação.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, vai presidir nesta segunda-feira uma reunião de emergência para analisar a situação sobre os deslocamentos internacionais e em particular o fluxo regular de mercadorias para e a partir do Reino Unido", enquanto o isolamento do país aumenta.

A variante do vírus seria até 70% mais contagiosa, mas não está demonstrado que é mais letal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que também poderia afetar "a eficácia de alguns métodos de diagnóstico".

A OMS pediu o "reforço dos controles" na Europa, pois já foram detectados casos da nova cepa fora do território britânico: Dinamarca, Itália, Holanda , Austrália e África do Sul.

Nesta segunda-feira, placas nas rodovias do sul da Inglaterra alertavam os viajantes e motoristas sobre o fechamento da fronteira com a França, que na noite anterior decidiu suspender todas as conexões por terra, mar e ar com o Reino Unido por 48 horas.

Grande parte dos produtos importados pelos britânicos chega por lá e o país poderia sofrer uma falta de suprimentos como alimentos frescos.

Dentro da UE, mais de dez países interromperam, ou restringiram, as conexões com o Reino Unido durante alguns dias. Além disso, todos os Estados europeus examinam uma resposta comum às conexões marítimas, ferroviárias e terrestres com o Reino Unido.

Fora da UE, Canadá, Chile, Argentina, Colômbia, Rússia, Peru, Hong Kong, Arábia Saudita, Kuwait, Índia, Irã, Suíça, El Salvador e Israel também suspenderam as conexões com o Reino Unido.

Outros países como Suíça impuseram uma quarentena para os viajantes procedentes do Reino Unido.

As autoridades dos Estados Unidos afirmaram que observam "com muito cuidado" a variante do vírus que se propaga no Reino Unido, mas no momento não pretendem proibir as viagens a partir de e para o país.

- UE aprova vacina -

Nesta segunda-feira, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) autorizou a vacina da Pfizer/BioNTech, para que a campanha de vacinação na União Europeia (UE) comece a partir de 27 de dezembro.

Países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, México, Costa Rica, Equador, Arábia Saudita, Israel, Singapura e Suíça fazem parte dos 15 estados que já autorizaram a vacina Pfizer/BioNTech.

Especialistas da EMA concordaram nesta segunda-feira com a opinião de seus pares americanos e diversos países europeus que consideram que as atuais vacinas contra a covid-19 também são efetivas para esta cepa.

"Até o momento, não há provas que indiquem que esta vacina (da Pfizer/BioNTech) não funcionará contra a nova cepa" do coronavírus, disse hoje a diretora-geral da EMA, Emer Cooke.

O Reino Unido já começou sua camapanha geral de vacinação contra o coronavírus há duas semanas, também com a vacina da Pfizer/BioNTech.

A descoberta da nova cepa não poderia acontecer em um momento pior para o Reino Unido, que também está envolvido nas negociações de sua relação pós-Brexit com a União Europeia, que parecem estar em um beco sem saída.

A nova cepa está "fora de controle", reconheceu no domingo o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock, que justificou com isso o reconfinamento de Londres e do sudeste da Inglaterra. "Será muito difícil mantê-la sob controle até que uma vacina esteja amplamente difundida", acrescentou.

A situação desalentadora nas áreas de saúde e comercial provocou quedas nas principais Bolsas europeias e a desvalorização da libra esterlina.

- Acordo nos Estados Unidos -

Em todo planeta, o coronavírus provocou mais de 1,6 milhão de mortes e infectou mais de 76 milhões de pessoas, de acordo com um balanço da AFP com base em números oficiais dos países.

Com 316.202 mortos e 17,65 milhões de casos, os Estados Unidos permanecem como o país mais afetado pela covid-19.

As autoridades anunciaram que, a partir desta segunda-feira, disponibilizarão 7,9 milhões de doses a mais para a campanha de vacinação. O presidente eleito Joe Biden será vacinado nas próximas horas.

No domingo à noite, democratas e republicanos alcançaram um acordo para votar no Congresso um novo plano de apoio à economia, que era negociado há meses.

No Brasil, a doença já provocou mais de 186.000 mortes.

No domingo, as autoridades do departamento boliviano de Santa Cruz, o mais populoso do país e fronteiriço com o Brasil, informaram um "foco agressivo", que já provocou 1.600 casos em uma semana, o triplo do registrado em novembro.

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