Europeus vão às compras após desconfinamento

Por Françoise MICHEL con Fulya OZERKAN en Estambul y Alexandre HIELARD en París
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Clientes fazem fila para entrar em uma loja de roupas em Bruxelas, em 11 de maio de 2020.

De Bruxelas a Istambul, milhares de 'desconfinados' redescobriram nesta segunda-feira(11) suas lojas e salões de beleza favoritos em busca de um delineador de olhos, um livro de filosofia ou uma aparada na barba.

O desconfinamento foi declarado em vários países, incluindo Bélgica, França e Turquia, onde as filas se formaram em frente a estabelecimentos considerados "não essenciais", como lojas de roupas.

"Preciso de um 'jeans'. Ando de bicicleta há dois meses e só tenho alguns usados", explica Brigitte Szekely, 61, esperando na entrada de uma loja no bairro de Ixelles, em Bruxelas.

Em Stockel, outro bairro da cidade, Deborah Aragon procurava sapatos para o filho de 2 anos e meio, que ficou sem pares de seu tamanho durante o confinamento e teve que "usar os de seus irmãos mais velhos".

Diante da esperada avalanche de consumidores, a rua Neuve, a grande via comercial da capital belga, amanheceu com uma demarcação central para separar a direção da circulação dos clientes.

A menos de um quilômetro de distância, nas Royal Galleries, um professor de francês esperava que a renomada livraria "Tropismes" fosse reaberta às 11h para adquirir um livro do filósofo Henri Bergson.

"Durante o confinamento, encontrei uma palestra de Bergson, na qual ele descreve a Alemanha no início da guerra como hoje se fala da China", disse Julien Fang, 38 anos, à AFP.

- "A vida recomeçou" -

Em Istambul, a agenda do barbeiro Sadettin Celikcioglu, que reabriu no bairro Nisantasi, estava lotada até a noite. "O mesmo amanhã. Somos quatro barbeiros e trabalharemos em turnos", explicou.

"Durante essa crise, alguns pediram que suas mulheres aparassem suas barbas, outros compraram uma navalha. Mas ninguém pode praticar nossa profissão. É uma das mais difíceis", diz Sadettin com um sorriso.

No mesmo bairro, Inci não esperou e, já de manhã, não deixou de ir ao cabeleireiro para "ficar bonita". "Sou cliente regular e confiante nas medidas de higiene que eles tomaram", enfatizou.

A autoimagem também está no centro das prioridades de Nathalie em Bruxelas. Com os lábios cobertos pela máscara, esperava comprar um delineador de olhos, depois de "ter deixado a maquiagem durante os dois meses de confinamento".

Apesar de a "vida recomeçar", nas palavras dos comerciantes aliviados da rua comercial Ermou, no centro de Atenas, citadas pela televisão pública, a sombra do novo coronavírus ainda está presente.

- "Agora eu tenho 75 anos!" -

Em Paris, o salão de beleza administrado por Fabien Provost, perto da Champs Élysées, não oferece mais café ou revistas para seus clientes, que também devem desinfetar as mãos com álcool gel na chegada.

Dentro do salão, onde apenas metade dos lavatórios e bancadas estavam ocupados, os clientes devem usar uma capa descartável e seguir uma rota marcada para limitar os contatos.

Cliente "desde 1983", Hervé Dabin, 68 anos, entende as limitações. "É uma casa séria. Eu sabia que tudo estaria bem organizado e em ordem", disse o aposentado que aguardava para fazer seu "corte clássico".

Com a agenda "completa a semana toda e bem cheia na próxima semana", Provost tem medo de decepcionar alguns de seus clientes por não poder recebê-los "imediatamente". Mas decepção não parecia ser o sentimento deles nesta segunda-feira.

"Eu estava 100 anos quando cheguei e agora tenho 75!", brincou Florence Desazars, 85, com sua escova impecável e raízes brancas tingidas, na expectativa de ver seus filhos novamente após dois meses de reclusão.

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