EuTestei: Smartphone Motorola Atrix MB860

Poder, poder! Novo Android da Motorola traz tudo o que você esperava de um smartphone potente

Por Stella Dauer

Finalmente recebi da Motorola o novíssimo Atrix para testes. Mal via a hora de pegar nas mãos o início de uma era de smartphones Android muito poderosos e enfim voltados realmente para mídias e entretenimento. É um dos primeiros em que há tanto o que falar que os aplicativos do Android Market ficam de lado para descrever suas vantagens. Preparem a paciência, porque esse texto está bem longo.

Para comparação, ele parece um Defy um pouco mais largo. É todo preto e na traseira encontramos um padrão decorativo que o deixou bonito. A tela é de vidro, mas todo o resto é de plástico. Os cantos são todos arredondados e encontramos poucos botões físicos, apenas o de volume e o de energia. Fora isso temos a câmera e o flash na traseira, junto com a saída e de som, entrada para fone em cima e conexão microUSB e HDMI na lateral. A câmera frontal e os botões do sistema ficam atrás do vidro frontal.

A Motorola só tropeçou no design no quesito botão de energia: Ele fica na parte superior do aparelho, um pouco caído para trás, mas o invés de deixá-lo saliente como no iPad 2, ele é convexo, então fica um pouquinho complicado apertá-lo. Mas há um motivo para ele ser assim, confira no próximo tópico.

A tela TFT capacitiva de 4 polegadas é espaçosa e muito confortável. O vidro Gorilla Glass desliza bem e toma toda a frente do Atrix. É um display bem largo, com resolução de 960 × 540 pixels e de ótima qualidade, o primeiro display qHD para um smartphone, com alta resolução e cores de 24 bits. É brilhante e com boas cores, mas ainda não conseguiu bater a qualidade dos Milestones 1 e 2, onde quase não se enxergam os pixels. Ainda assim, não há qualquer problema para assistir vídeos em alta definição.

E mesmo sendo parrudo e possuindo muitos recursos novos, ele consegue ser mais leve que o Milestone 2, pesando 137 gramas. Isso porque sua carcaça é toda de plástico e não há teclado QWERTY físico como no Milestone 2. Mas mesmo sendo de plástico o aparelho não passa ar de mal acabado, ainda mais quando sua traseira possui uma decoração elegante impressa.

Fiquei impressionada

Estava reclamando do botão de travamento do Atrix quando resolvi fuçar nas configurações. Esse botão “chatinho” funciona também como leitor de impressões digitais! Nas configurações de segurança você pode escolher travar seu telefone de forma simples, com uma senha, com um desenho de um padrão ou com suas impressões digitais.

Para configurar essa função você deve escolher uma senha numérica de reserva – caso queime seus dedos e precise acessar o celular – e depois registra 3 vezes cada dedo indicador no leitor. Após isso, basta apertar o botão de energia e deslizar o dedo sobre ele para acessar seu telefone. Muito mais prático do que desenhar um padrão ou digitar números. E muito mais seguro, já que ninguém poderá mexer em seu aparelho sem que você tome conhecimento.

Agora que sabemos para quê serve o desconfortável botão, continuemos.

Processamento parrudo, sistema antigo

Aqui fica a maior novidade da Motorola. O parrudíssimo processador do Atrix, um Tegra 2 de 1Ghz dual core. E tudo isso é ajudado por 1GB de memória RAM. Não estamos falando de um netbook e nem de um notebook, mas de um “simples” smartphone.

E ele realmente voa baixo. Apesar de ainda não ter as transições de um iOS – culpa do desenvolvimento da interface, não do processador –, ele executa perfeitamente todas as tarefas impostas, muitas ao mesmo tempo. Pode abrir Angry Birds, email, Gtalk, navegador, Facebook, tudo ao mesmo tempo. Ele aguenta o tranco e segura as pontas.

Isso porém faz com ele esquente pra caramba. Não importa se ele está plugado no lapdock ou no dock, até mesmo segurando nas mãos, ele esquenta com tanto processamento. Não a ponto de fritar ovos nele, mas o suficiente pra aquecer as mãos em um dia frio.

Mas, apesar de tanto processamento, a Motorola traz o Atrix com o Android 2.2.2, mesmo já existindo – lá fora – aparelhos com a versão 2.3 do sistema. Assim como outros smarts da empresa como o Defy, o motivo do sistema antigo é sempre alguma jogada de marketing. De qualquer forma, o CEO da marca já prometeu que o Atrix deve ser atualizado em breve. Aliás, não faz muita diferença. Lógico que temos um sistema mais moderno e otimizado, mas o 2.2 já é uma versão bem estável e bem inteligente.

Dock multimídia HD e lapdock

E como se já não bastasse um etceteradock, temos mais um. O dock é um acessório que já vinha nos aparelhos parrudos da Motorola desde o Milestone. Depois de aparecer também no Milestone 2, ganhou agora uma versão anabolizada para o Atrix. Antes ele apenas servia para deixar o aparelho como um relógio de mesa que também exibia fotos, tocava música, etc.

Agora o dock está mais bonito, arredondado e traz muito mais funções. São três portas USB, uma HDMI e uma entrada para fones de ouvido. Na caixa vem um junto um controle remoto, para que você possa conectar o aparelho na TV e controlar as ações sem precisar levantar do sofá. É um pequeno controle que funciona com uma bateria de lítio e possui botões para navegação geral.

E tudo isso graças ao Webtop, o mesmo aplicativo que faz o lapdock funcionar. Isso porque quando você liga o Atrix a uma TV, o mesmo sistema se abre, então você pode navegar na internet em quantas polegadas quiser, contanto que tenha acesso a uma conexão HDMI. E se tiver um teclado bluetooth (até agora o da Motorola não é vendido aqui, e não posso dizer se outros funcionam) você tem mais uma vez um computador à sua disposição, mesmo sem o lapdock.

Esse mesmo aplicativo, Webtop, permite que, caso alguém te ligue enquanto o aparelho estiver conectado a alguma coisa – dock ou lapdock –, a ligação não se perca. Basta desconectar o aparelho e atender a chamada ou atender na base mesmo, usando um vivavoz. O Webtop guarda todas as suas configurações, não importa onde você o conecte para usar o Atrix.

A única desvantagem está na fonte, que é enorme! Tem o mesmo tamanho que a fonte do lapdock, e precisa estar conectada na tomada para que tudo funcione – entradas, controle remoto, etc –.

Para ressaltar mais ainda essa ideia de que o Atrix é um computador, a Motorola lançou o lapdock, um netbook sem processamento que serve apenas como tela e teclado. O detalhamento do seu funcionamento estava nesse texto, mas ele ficou tão grande que dividimos em outra resenha. Confira aqui.

Boas novidades na câmera!

Finalmente a Motorola começou a aprimorar o conjunto fotográfico dos seus smartphones. E eu digo aprimorar porque ainda não chegou “lá” e ainda fica abaixo do iPhone 4 e de alguns Nokia e Sony Ericsson. mas não há do que reclamar. Fotos feitas à noite são bem menos granuladas e pixeladas, graças ao sensor de 5 megapixels.

Temos também um destaque maior para a câmera frontal, que também pode ser utilizada para fotos. Sua definição é VGA, mas em boa luz ela serve bem ao seu propósito de registro rápido.

Há também um flash de LED duplo e autofoco. No geral, dá pra perceber que as fotos ficam com um efeito meio blur, como se houvesse uma aura ao redor dos objetos. Pra quem gosta, é um efeito. A câmera é boa à noite, com ou sem a ajuda do flash. Com boa eu não quero dizer incrível, mas como já citado a granulação é bem menor.

Um ponto legal são os ajustes. O software da câmera possui muitos deles, além de efeitos, pós edições e outras funções para deixas as fotos mais legais. São seis cenas, cinco efeitos, otimização automática, brilho e cor e quatorze pós efeitos que tentam imitar o aplicativo Instagram.

Há também o vídeo, que pode ser gravado em alta definição, o HD simples (720p). Como as fotos, não é um substituto de uma câmera de mão e nem de uma compacta, mas serve muito bem para registros do dia a dia, publicações no Facebook e Youtube, entre outros. Há promessas de que updates futuros elevem a qualidade do vídeo para Full HD (1080p).

Aplicativos

Aqui temos os básicos Gmail, Gtalk, Maps, Alarme, calendário, gerenciador de arquivos, notícias e clima, Qik vídeo, pesquisa por voz, Latitude, gerenciador de tarefas e Facebook. Um kit básico que não será o suficiente ante os 88 mil aplicativos disponíveis no Market. Divirta-se!

Em matéria de compartilhamento temos o Compartilhamento de mídia para usar junto a uma TV, por exemplo; temos o Webtop para plugá-lo ao dock ou ao lapdock; DLNA para conexão com aparelhos multimídia; e o Roteador Wi-Fi, para compartilhar sua conexão.

E há também o criticado Blur. Ele traz alguns ajustes no sistema, como o controle de dados e de bateria, traz o widget de Redes Sociais, pelo que é (mal) conhecido. É um widget da home que pode ser redimensionado e mostra informações do Twitter, Facebook, Last.fm e outras redes. Esse widget é bem pobrinho, e permite poucas funções e interações com os serviços, por isso falam tão mal dele.

Mas no geral, as pessoas se esquecem de que o Blur, além dos outros aplicativos citados acima, também serve para tomar certas medidas caso você seja roubado ou perca seu aparelho. Cadastrando seu Atrix no site da Motorola e no Blur você pode localizar seu aparelho à distância (se o GPS estiver ligado) e até apagar seus dados.

Bateria e armazenamento

Para quem já estava começando a chorar por causa da bateria de todos os smartphones Android, WAIT! Nada de 6 horas e carregador na bolsa. Mesmo usando o Atrix o dia todo, com 3G e Wi-Fi ligado, conferência de emails, redes sociais e até uns joguinhos, chegamos à marca de 11 horas de bateria. Um resultado muito bom para tanto desempenho, tela grande e mais todas as funções do aparelho.

E na hora de carregar, uma boa notícia para os apressados. Em meia hora, ele carrega 40% da bateria, e em uma hora e meia já está tudo 100%.

Sua memória interna agrada bastante. São 16GB no total, quase 12 disponíveis. Há também entrada pada cartões microSD de até 32GB, mas a caixa não veio com nenhum no kit, já que o espaço interno é suficiente.

Mas espere, há aqui uma enorme mancada da Motorola. De todo esse espaço, apenas 1,5GB estão disponíveis para a instalação de aplicativos. Quem é ávido no download vai ter que se segurar, porque isso pode ser rapidamente preenchido. O resto do espaço fica para mídias como música e filmes.

Música, mídias e o de sempre

Não tenho muito o que falar nesse quesito. Na música temos um player muito simples e que graças ao Blur se conecta à internet pra procurar a letra das músicas. O som externo é alto, mas não muito bom, parece uma lata de sardinha, o som é abafado.

Com os fones, o som é maravilhoso. Com estéreo, graves e agudos ideais. Pena o fone ser normal, e não intra-auricular – esperado para esse preço de aparelho – e vir apenas com microfone e botão de chamada (saudade dos Nokias, que vinham com controle completo da música no fone).

Já falamos um pouco dos filmes acima, mas lembramos aqui que o Atrix foi feito pra isso. O processador e a ótima tela permitem rodar vídeos em Full HD sem engasgar e com ótima qualidade, sem engasgar.

Suas conexões são as de sempre. Temos Wi-Fi, Bluetooth 2.1, 3G e GPS com A-GPS. O Wi-Fi funcionou muito bem, mas tive alguns problemas com a conexão 3G. Entretanto, não posso dizer se isso foi um problema da operadora ou do aparelho. O GPS é rápido, bem rápido, e junto à conexão 3G te coloca no mapa rapidamente.

Na caixa

A pesada e grande caixa do Atrix traz várias coisas. Além do próprio aparelho encontramos o dock multimídia HD, cabos USB e HDMI, carregador, fonte do dock, controle remoto e fone de ouvido. Mais de um quilo de coisas, já que também temos manuais e saquinhos aos montes.

Também vem junto (não sei como pode caber na caixa) o kit veicular, composto por carregador, base para fixação no vidro e base do celular. Essa é uma base esperta, pois ao plugar o Atrix nela o aparelho já entra em modo veicular, que apresenta botões grandes com algumas opções de aplicativo já disponíveis.

Conclusão

Não dá pra dizer agora que ele é o melhor smartphone Android no Brasil porque quando eu publicar essa resenha estaremos bem perto do lançamento do Samsung Galaxy II em terras brasileiras, e aí é capaz que a coisa se equilibre. Então é melhor eu dizer isso com propriedade após testar os dois e fazer um comparativo.

O lapdock é um acessório bem útil, já que permite ter um pequeno dispositivo para ser utilizado na rua, em transportes públicos, etc, e dá a opção de acessar uma tela e teclado grandes para trabalhar de forma mais confortável ou ver filmes em HD em uma tela bem maior. Se você não se preocupa em gastar mais de 200 reais de telefone, pode encontrar o conjunto por R$1600, mais barato do que um Samsung Galaxy S desbloqueado.

No Brasil, só é possível adquirir o lapdock junto com o Atrix, e apenas pela operadora Claro. Isso pode fazer com que o preço dos dois caia, dependendo do plano de voz e dados escolhido (há relatos de que o conjunto possa custar apenas mil reais) ou que fique abusivo, caso seu plano de voz e dados seja pequeno ou pré pago.

Prós:

• Leitura biométrica;

• Dock multimídia para navegar pela HDTV;

• Processamento e tela maravilhosos;

Contras:

• Fonte do dock é gigante;

• Lapdock é caro;

• Apenas 1,5GB para aplicativos;

Mais resenhas em stelladauer.geek.com.br.

Motorola Atrix MB860

Preço: R$1727 (desbloqueado)

Site: walmart.com.br

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