Evangélico, Cabo Daciolo trava disputa com líder do candomblé para ser o nome do PDT-RJ ao Senado

RIO — Dois nomes que levantam bandeiras religiosas duelam nos bastidores do PDT do Rio pela candidatura ao Senado. Cabo Daciolo e o babalaô Ivanir dos Santos querem ser o nome do partido ao Congresso, na chapa que terá o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, como postulante ao governo. Os dois travam um embate religioso como pano de fundo, já que Ivanir é sacerdote do candomblé, enquanto Daciolo é pastor evangélico. Na conta do PDT fluminense, Daciolo larga na frente, por ser considerado um nome mais popular na capital e na Baixada Fluminense, onde Neves deve centrar as atividades de campanha.

Ivanir, no entanto, conta com a simpatia de membros da executiva nacional do partido, já que possui histórico de militância por igualdade étnica e respeito às religiões de matriz africana. Há ainda a ala do PDT que defende o apoio a um nome escolhido por um dos partidos que compõem a coligação, como o Cidadania e o Patriotas. Ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves acredita ter boa popularidade na cidade e também em São Gonçalo. A escolha do vice da chapa e do candidato ao Senado, portanto, devem ser preenchidas por nomes conhecidos na capital e na Baixada.

Prevista para ser anunciada no último mês, a chapa única formada pelo PDT e o PSD, do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi desfeita. Paes e o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, não chegaram a um acordo e seus pré-candidatos, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz (PSD), e Rodrigo Neves (PDT), passaram a seguir separados em suas campanhas.

A aliança anunciada em fevereiro chegou ao fim após uma reunião entre Paes e Lupi e a divulgação da pesquisa Datafolha para o governo do Rio ocorrida na última quinta-feira. No levantamento, Rodrigo Neves apareceu com 7% e Santa Cruz com 3% nas intenções de voto — situação de empate técnico devido à margem de erro de três pontos para mais ou para menos.

Lupi tratou a candidatura de Neves como “irreversível” na reunião com Paes, que também decidiu não abrir mão de Santa Cruz, gerando um impasse para a chapa única deslanchar. O empate técnico no Datafolha deu argumentos para o grupo de Paes manter a aposta no ex-presidente da OAB.

O marqueteiro Marcelo Faulhaber, responsável pelas campanhas vitoriosas de Marcelo Crivella (Republicanos), em 2016, e Eduardo Paes, em 2020, seguiu com a campanha de Rodrigo Neves. Estão também coordenando os esforços eleitorais de Neves o atual prefeito de Niteroi, Axel Grael (PDT); a deputada estadual Martha Rocha (PDT) que é sua principal cabo eleitoral na capital; e o prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio (PDT), responsável por articular suas atividades nos municípios interior do estado.

O pedetista vem intensificando sua agenda de campanha e tem conversas avançadas para uma aliança com o Cidadania do deputado estadual Comte Bittencourt, que foi seu vice em Niterói. Além disso, vem buscando atrair alas de partidos de esquerda, como o PT e o PSB.

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