Evasão escolar pode chegar a 35%, diz secretário estadual da Educação de SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário estadual da Educação de São Paulo, Rossieli Soares, afirmou que a evasão de estudantes pode chegar a 35% na rede estadual paulista durante a pandemia. "Existe a possibilidade", afirmou na manhã desta segunda-feira (2), durante volta às aulas na Escola Estadual Dom Agnelo Cardeal Rossi, no extremo sul da capital paulista.

Para este segundo semestre, o governo do estado autorizou que unidades de ensino recebam até 100% dos alunos, desde que com uma distância mínima de 1 metro entre eles na sala de aula.

Segundo o subsecretário de Articulação Regional da Secretaria de Educação do estado, Patrick Trajan, 1.251 das 5.130 escolas estaduais de São Paulo estão aptas a receber todos os estudantes, representando 24,39 % do total. As demais unidades vão funcionar em esquema de revezamento, em alguns casos com 50% dos alunos com aulas presenciais e o restante com ensino remoto. A presença na escola ainda não é obrigatória.

“Temos um dado que trouxe a possibilidade de abandono de 35%. É um número que a gente [Educação] considera possível de acontecer, sim”, afirmou Soares, na manhã desta segunda.

Sobre o retorno definitivo das aulas presenciais, o secretário não afirmou uma data, explicando que durante o mês de agosto "muitas escolas" atenderão o retorno presencial às aulas, para avaliarem "o quanto elas podem funcionar mais e melhor."

Para que isso ocorra, Soares acrescenta ser necessário calma, respeitando o receito não só de funcionários da escola, como de pais e alunos. "Respeitamos este tempo [de adaptação] porque as pessoas têm medos, receios, e não pode de qualquer maneira atropelar isso. Precisa construir um modelo de retorno", explicou.

O titular da Educação relacionou a distância das salas de aula a eventuais abandonos escolares. “Quanto mais tempo se deixa a escola fechada, [há] menos chances de o aluno voltar, pela perda do aprendizado em que ele vai se descolando de uma sequência [de aprendizagem].”

Segundo a secretaria foi registrado 2,5% de evasão escolar em 2019 e 0,63% no ano passado. Considerando os 3,5 milhões de estudantes da rede paulista de ensino, os percentuais representam, respectivamente, 87.500 e 22.050 alunos, uma queda de 74%.

Por causa da pandemia, diz Soares, as escolas estão tolerantes para ajudar o aluno a recuperar conteúdos perdidos, por causa da ausência de estudo, ou ineficiente, durante o sistema remoto.

Isso ocorreu, ainda de acordo ele, em janeiro deste ano, quando cerca de 150 mil estudantes contaram com reforço para não repetirem o ano escolar.

A defasagem ocorre, acrescentou, “por problemas distintos” como falta de estrutura em casa, como conexão à internet, até questões pessoais, como de alunos que, apesar de terem computador e acesso às aulas online, não se adaptam ao modelo de ensino remoto.

Outra forma de evitar a evasão, acrescentou Soares, é o trabalho de busca ativa, no qual funcionários das escolas vão até as casas dos estudantes para informar sobre a retomada das atividades presenciais e, também, para incentivar o acompanhamento de aulas remotamente, enquanto o modelo estiver em vigor.

A secretaria afirmou que, por meio de decretos municipais, 68 cidades, do interior e litoral, não aderiram ao retorno 100% presencial das aulas, ocorrido nesta segunda-feira.

Soares disse que todas as prefeituras foram procuradas, na semana passada, para justificar os motivos que as levaram a não aderir ao retorno. Todas serão procuradas novamente durante esta semana, disse ainda o secretário.

"Em último caso, iremos ao Ministério Público para solicitar que revisem [Promotoria] isso junto aos municípios", acrescentou, mencionando o que pode ser feito após eventuais retornos negativos das prefeituras.

Os pais ou responsáveis pelos 1.417 alunos da Escola Estadual Professor Maud de Sá Miranda Monteiro, no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, que se sentirem inseguros quanto à volta dos alunos ao ensino presencial por causa de comorbidades, são acompanhados de perto pela direção da unidade de ensino.

A diretora Maria Aparecida Correia da Rocha, há 16 anos na direção da unidade do extremo sul da cidade, afirmou que os responsáveis são convidados a assinar um termo de compromisso, com o qual garantem que irão acompanhar o aprendizado remoto dos alunos, até que se vacinem e retornem com segurança à sala de aula.

“Com a retomada do segundo semestre [nesta segunda], a dinâmica das aulas remotas mudou, pois as aulas presenciais passaram a ser transmitidas, online, para os estudantes”, explicou, se referindo ao modelo anterior, em que estudantes assistiam a aulas gravadas na internet, ou pela televisão.

Todas as 15 salas de aula da escola —que funciona nos três períodos, incluindo o EJA (Educação de Jovens e Adultos) — contam com equipamentos para transmitir as aulas em tempo real, segundo apurado pela reportagem.

Na manhã desta segunda, 239 estudantes foram presencialmente à escola, segundo a diretora, que estimou 230 estudantes no período vespertino e 140 no noturno.

Antes de entrar na escola, os alunos aferem suas temperaturas, em um termômetro eletrônico, fixado ao lado do portão de entrada. Há totens com álcool em gel por toda a unidade, além do mesmo produto nas salas de aula.

Todos os alunos receberam uma garrafa plástica, com a qual devem beber água, retirada de um bebedouro destinado exclusivamente a isso, com torneiras. Já os bebedouros tradicionais estão interditados, para evitar eventuais infecções pelo coronavírus.

Apesar de todos os cuidados, a dona de casa Sandra Theodoro dos Santos Honório, 50 anos, preferiu assinar o termo de compromisso, garantindo que irá acompanhar em casa o desenvolvimento da filha, de 12 anos. “Ela tem asma e, enquanto não for vacinada com ao menos uma dose sinto muito medo de deixar ela voltar para as aulas presenciais”, explicou.

A aluna, ansiosa ao lado da mãe, afirmou estar feliz com a possibilidade de, em breve, voltar à sala de aula e que sente saudade das amigas.

Apesar de ser boa aluna, afirmando estudar todos os dias, a menina acrescentou sentir dificuldades no sistema remoto, principalmente pela ausência de dinâmica que uma aula convencional proporciona. Ela disse preferir tirar dúvida com o professor na hora e que neste caso basta levantar a mão.

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