"Evento de quebrada pra quebrada": conheça o Sarau do Capão

Tawane, Gabi e Jéssica, que fazem parte da organização do evento. Foto: Karina Santos/Divulgação

Há dois anos duas amigas do Capão Redondo, bairro da zona sul de São Paulo, resolveram fazer um sarau na Fábrica de Cultura do Capão para reunir amigos que estavam de férias do Cursinho Popular Carolina de Jesus. Tudo foi feito de uma maneira bem despretensiosa, mas o evento foi um sucesso e Tawane Theodoro e Jéssica Campos foram convidadas pelo espaço para realizarem saraus mensais no local. Elas toparam e assim nasceu o Sarau do Capão.

Segundo a estudante Tawane, uma das criadoras do projeto, elas nem imaginavam que a ideia ia tomar a proporção que tomou. Porém, ela garante que a proposta foi aceita prontamente pelas duas. “Entendemos como a quebrada precisa desses eventos. A cada um a gente vai aprendendo tanto”, diz a jovem.

De acordo com a estudante, elas entendem que é importante melhorar cada vez mais o nível de organização para que os encontros se tornem ainda maiores. Hoje, a média de pessoas por sarau é de 60, mas Tawane diz que o grupo tem o sonho de levar a manifestação cultural para escolas públicas. “Estamos organizando para isso acontecer”, afirma ao blog.

Atualmente, a organização dos eventos fica por conta de três pessoas: Tawane e Jéssica, que idealizaram o projeto, e Gabi Nascimento. Léo Aguiar faz as fotos. “Todos nós temos a mesma ideia: realizar um evento de quebrada pra quebrada, em que as pessoas se sintam em casa e que não precisem sempre ir pro centro”, diz a estudante.

“É muito lindo ver toda a evolução de quem está com a gente desde do começo. É aí que a gente vê como estamos fazendo história. E é por isso que sabemos a responsabilidade que temos nas costas”, pondera Tawane que admite que não imaginava que a iniciativa iria crescer tanto. “A gente vai aprendendo mesmo a cada edição o que é organizar um sarau e toda a importância dele pra quebrada”, diz.

Segundo a organizadora, todas as edições são emocionantes de alguma forma. Mas ela destaca algumas que marcaram para ela. “A edição de dois anos com a Bivolt de convidada foi incrível. Perdi as contas de quantas vezes eu chorei de emoção. A casa tava cheia, a energia ótima. Foi uma sensação de dever cumprido”, afirma a estudante.

“Também a edição que tivemos a primeira apresentação do Quebrada Queer no pocket show do Harlley. [Ver] a quebrada cantando as músicas dele me mostrou como a nossa união é importante e como devemos continuar com o nosso corre para cada vez ter mais momentos como esse”, finalizou Tawane.