Evento debate a importância da filantropia pela equidade racial

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O calendário do Mês da Filantropia Negra, celebrado ao longo de agosto, tem início na quinta-feira (4) com a segunda edição do evento de mesmo nome.

O evento, organizado pelo GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), em parceria com a The WISE Fund, acontece no Instituto Unibanco, em São Paulo. As vagas presenciais estão esgotadas, mas ainda é possível participar virtualmente das palestras, que acontecem das 9h30 às 11h30. O tema desta ediçao será "Força - A urgência do agora! Do sonho à ação". Para saber mais sobre o evento e como participar, clique aqui.

Nesta edição será enfatizado a Filantropia Negra brasileira, para trazer um resgate histórico de como essa prática se constitui e suas particularidades, principalmente, após a pandemia e a crise econômica que fez o Brasil voltar ao Mapa da Fome, com 20 milhões de pessoas nessa situação e outras 120 milhões em algum nível de insegurança alimentar.

Para Cássio França, secretário-geral do GIFE, organizações do terceiro setor trabalham para buscar soluções que respondam aos desafios e demandas sociais. "Temos o compromisso público de contribuir com a promoção da justiça social no Brasil. Esse processo só pode ser devidamente exercido se o Investimento Social Privado compreender que a justiça social no país passa necessariamente pelo protagonismo político de organizações e lideranças negras", diz França.

O Mês da Filantropia Negra tem o objetivo de gerar reflexões e conhecimentos sobre a diversidade da comunidade negra. A Black Philanthropy Month acontece há mais de 10 anos nos EUA, Canadá e África.

Para França, as principais decisões políticas brasileiras devem ser tomadas por grupos de pessoas que reflitam a diversidade brasileira, que é composta majoritariamente por pessoas negras. "Enfrentar o racismo e promover a equidade racial são condições necessárias para termos um país mais justo", afirma.

Para o GIFE, a pandemia marcou fortemente a atuação de investidores sociais e filantropos no país e isso será um dos assuntos debatidos no evento. Institutos, fundações e empresas se mobilizaram para que as doações chegassem a quem mais precisa, no entanto, após o volume inédito de R$ 5,3 bilhões aportados pelo setor em 2020, segundo o Censo Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), a tendência é que esse total não seja alcançado nos próximos anos. Segundo o levantamento, o previsto para 2021 foi de R$ 4,2 bilhões, e a expectativa para os anos de 2022 e 2023 é manter esse mesmo volume.

ROGRAMAÇÃO DO MÊS DA FILANTROPIA NEGRA

A palestra principal será de Aline Odara, diretora executiva do Fundo Abgara, que vai falar sobre a filantropia negra no século XXI e todos os desafios e o que já aprenderam com o passado.

O evento contará com vários painéis de debate e um espaço dedicado à troca de conhecimentos, saberes, modos de fazer e práticas - como grantmaking, que é uma estratégia de atuação do campo da filantropia e do investimento social privado que pode ser adotada por fundações, institutos, fundos filantrópicos, empresas e outros investidores sociais (grantmakers). O diretor executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, e a presidenta do conselho deliberativo do Fundo Elas+, Helena Theodoro, vão conduzir esse debate. A programação também abordará a filantropia individual com Maurício Rocha, diretor do Instituto Feminismos Plurais.

No encontro haverá o lançamento do Estudo sobre Filantropia Negra Global ("Global Black Funding Equity Index"), ação pioneira que pretende fazer um levantamento sobre a filantropia negra no mundo e do Prêmio da Filantropia Negra Global, que irá reconhecer organizações, associações e/ou investidores que melhor representem os negros.