Evento esportivo que teve juiz como um dos promotores gera aglomeração em Alter do Chão (PA)

MANOEL CARDOSO
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SANTARÉM, PA (FOLHAPRESS) - Um evento esportivo provocou aglomeração na turística Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste do Pará, no último domingo (4). Por causa da alta de mortes por Covid-19, a região no Pará está classificada como bandeira vermelha, com a máxima restrição de circulação de pessoas e proibição de eventos. São 16.796 casos confirmados no município e 836 mortes. A capital, Belém, está com lotação de UTIs e chegou a entrar em lockdown no mês passado. O triatlo denominado "2° Zéfiro" teve a largada em frente a um hotel, com a presença de dezenas de atletas, que disputaram a prova com 1 km de natação, 58 km de ciclismo e 11 km de corrida. Segundo a Prefeitura de Santarém, o evento foi realizado pelo grupo Zéfiros. Em nota divulgada à imprensa pelo juiz criminal da cidade Alexandre Rizzi, um dos integrantes do grupo, todas as recomendações estipuladas pelas autoridades foram seguidas. A nota aponta que se tratou de esporte individual amador e que a prática dele é entendida como sinônimo de saúde. "Incentivamos a prática esportiva regular e somos contra a todo tipo de sedentarismo. O primeiro salva, o segundo mata", diz um trecho da nota. A reportagem não conseguiu contato com o juiz. O evento contou com apoio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), da Secretaria Municipal da Juventude, Esporte e Lazer e teve o aval do Comitê de Crise para Enfrentamento da Pandemia de Covid-19. Foi autorizado no dia 10 de março pela Semsa, por meio da Divisão Especializada em Vigilância Sanitária. Entre imagens mostrando o evento, aparecem idosos e crianças sem a utilização de máscaras. "Foi liberado, tentamos descobrir por quem, mas os órgãos públicos a quem contatamos ou não responderam ou disseram que não sabiam de nada, sobre uma imensa aglomeração esportiva aqui na comunidade (maioria sem máscaras)", disse, em nota, o presidente do Conselho Comunitário de Alter do Chão, Junior Sousa. A Vigilância Sanitária informou que foi instaurado procedimento para apurar possíveis violações aos protocolos de biossegurança do evento. O órgão está analisando as imagens de alguns pontos da competição que podem ter ferido o cumprimento dos protocolos. Os organizadores do evento, segundo a vigilância, serão chamados para prestar esclarecimentos e podem ser penalizados, caso tenham descumpridos as regras. Segundo o Decreto Nº 712/2021, está proibida a realização de eventos ou reuniões de qualquer natureza, com mais de dez pessoas. O documento também prevê o uso obrigatório de máscara de proteção com a cobertura sobre o nariz e a boca, confeccionada em tecido ou material similar, conforme as recomendações das autoridades sanitárias. De acordo com o decreto, permanecem interditadas as praias, igarapés, balneários e similares, no âmbito do município de Santarém. A prefeitura prevê punição para quem desobedecer a norma. O infrator pode ser punido com advertência e multa diária de até R$ 50 mil para pessoas jurídicas, a ser duplicada por reincidência, e de R$ 150 para pessoas físicas a ser duplicada em reincidência.