Evento sobre liberdade de imprensa na Câmara tem menção a jornalista desaparecido e ataques nas eleições

O desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira na Amazônia tiveram destaque em evento organizado na Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, celebrado nesta terça-feira, 7 de junho. Equipes de buscas tentam localizar os dois após alerta da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) na segunda-feira. Pereira era alvo constante de ameaças por combater a invasores como pescadores, garimpeiros e madeireiros.

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O caso foi citado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octavio Floro Barata Costa, que participou da solenidade na Câmara. Phillips é colaborador do jornal The Guardian, do Reino Unido.

— É lamentável que este episódio esteja ocorrendo exatamente no dia dedicado à liberdade de imprensa — afirmou Costa.

O presidente da ABI se mostrou preocupado com o ambiente de trabalho para a imprensa brasileira e disse que os jornalistas sabem que vão ser alvos de agressão durante as eleições deste ano. Ele também citou outro episódio recente, em que repórteres do site "Congresso em Foco" foram alvo de ameaças após publicarem reportagem sobre fóruns online em que usuários teriam oferecido dinheiro em troca de "fake news" favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro.

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— Os jornalistas sabem que correm risco hoje no Brasil. Sabem que durante as eleições vão ser alvos de agressões, porque há um certo incitamento às agressões aos jornalistas. A verdade é essa. Quando tem autoridades que se referem de forma pejorativa aos jornalistas. Quando os jornalistas são tratados dessa forma por autoridades, outras pessoas de outro nível se sentem com liberdade também para atacar jornalistas.

O deputado federal Ney Leprevost (União-PR), que pediu a sessão de homenagem e a conduziu no plenário, disse que estava solicitando à Mesa Diretora da Câmara o envio de expedientes ao ministro da Justiça, Anderson Torres, e à Polícia Federal (PF). Ao Ministério da Justiça, ele pede que "concentre esforços imediatos" na busca do jornalista britânico. À PF, pretende que seja feita uma investigação sobre a violação dos direitos constitucionais dos jornalistas do "Congresso em Foco".

Lira: ataque à imprensa é similar a ataque à democracia

Durante a sessão, Leprevost leu uma mensagem enviada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No texto, Lira disse que atacar a imprensa é atacar a democracia e que países autoritários têm como característica ter jornalistas como alvos e promover censura.

Afirmou ainda que o Congresso vai sempre repudiar ataques e censuras e vai estar do lado de iniciativas que evitem desacreditar os meios comunicação e incentivar o ódio à mídia.

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"O ataque à imprensa é similar ao ataque à democracia. O Congresso Nacional estará sempre ao lado de iniciativas que evitem que os meios de comunicação sejam desacreditados, que incentivem o ódio à mídia, ou que manipulem fatos", diz trecho do discurso de Lira lido na sessão. "Todos os ataques e censuras serão repudiados pelo Congresso Nacional", diz outro trecho.

Lira destacou o poder da liberdade de expressão como "catalizador de mudanças sociais e políticas" e chamou atenção para a capacidade dos meios de comunicação em responsabilizar os líderes políticos.

"É a imprensa que dá a oportunidade à livre expressão de todos os pontos de vista, abertura indispensável à construção de consensos, e também a proteção ao direito das minorias. Países autoritários têm como característica atacar jornalistas e promover a censura dentro de suas fronteiras", escreveu Lira.

A presidente da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), Cláudia Lemos, afirmou que, segundo levantamento de liberdade e imprensa da organização "Repórteres Sem Fronteiras", o Brasil está na posição número 110 entre 180 países. Segundo ela, as ameaças vêm aumentando. Lemos também defendeu a necessidade de criar um ambiente que permita o financiamento dos veículos de comunicação menores e de combater a desinformação nas plataformas digitais.

— Neste país, como em outros, jornalistas são ameaçados, perseguidos nas ruas e no mundo online, sofrem atentados por cumprirem o seu dever de informar os cidadãos. Quando isso acontece é a democracia que está em risco, não só os jornalistas ou a imprensa. É preciso combater essas ameaças — disse Lemos.

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