Everton Ribeiro, Douglas Luiz e Renan Lodi em alta na seleção

carlos eduardo mansur
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Arte O Globo

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Foram apenas quatro jogos após quase um ano sem se reunir. Num conturbado 2020, marcado por jogadores ausentes e um mundo sob o medo da pandemia da Covid-19, Tite tinha pouquíssima margem para trabalhar. Ainda assim, tem o que celebrar: as quatro vitórias dão tranquilidade nas Eliminatórias, que só serão retomadas em março; além disso, diante da ausência de nomes importantes como Neymar, Philippe Coutinho e Casemiro, novas alternativas ganharam espaço.

Sob o aspecto individual, há vencedores nestes quatro primeiros jogos. Um deles, o rubro-negro Everton Ribeiro, titular contra Venezuela e Uruguai. Além de ter participado dos gols, o meia se mostrou adaptável a diferentes sistemas. Primeiro, no 4-2-3-1, como meia central embora pendendo mais para a direita. Depois, viveu seu melhor momento quando Tite adotou o 4-4-2 no decorrer do jogo com o Uruguai, fazendo Everton Ribeiro partir da ponta direita. O jogador do Flamengo parece ter se firmado como uma alternativa imediata a Coutinho. Ele e o jogador do Barcelona são dos poucos meias-atacantes de que a seleção dispõe.

Outro que cresce é Douglas Luiz. A queda de produção de Arthur abriu espaço para sua convocação. Em seguida, ele ganhou a disputa com Bruno Guimarães pela vaga como parceiro de Casemiro contra Bolívia e Peru, nas duas primeiras rodadas. Nesta semana, com a seleção sem Casemiro e Fabinho, formou dupla com Allan diante da Venezuela e com Arthur contra o Uruguai. Tite o escolheu por dar cobertura a Renan Lodi pela esquerda e pelo bom passe longo, com inversões de jogadas da esquerda para a direita. Na terça, em Montevidéu, jogou como primeiro volante em alguns momentos.

Com tudo isso, Bruno Guimarães tem com o que se preocupar. Além da já natural concorrência com Casemiro e Fabinho, agora vê a ascensão de Douglas e o crescimento de Allan.

Por outro lado, houve confirmações. Renan Lodi, agora com instruções de ser um ponta pela esquerda quando o Brasil ocupa o campo de ataque, parece ter se firmado. É um dos jogadores que saem em alta deste 2020.

— Estes jovens vão criando casca — disse Tite.

Em março, a volta de Neymar, Casemiro e Coutinho colocará à prova o status dos novos nomes. Primeiro, haverá a curiosidade sobre quem dará lugar a Neymar. Firmino tem dificuldades de adaptação no sistema da seleção, bem diferente daquele que o faz brilhar no Liverpool; Richarlison mostrou-se capaz de ser um homem de área ou jogar pelo lado, inclusive ajudando na marcação. Assim como Gabriel Jesus, que pode jogar no centro do ataque ou na ponta.

Caso Tite volte a adotar o 4-4-2 com que terminou o jogo no Uruguai, pode voltar a ter um meia de origem pelo lado direito. Era a função que Coutinho fazia nas eliminatórias para o Mundial da Rússia, quando ele e a seleção viveram o melhor momento. Mas o uso de um meia que parte da ponta direita para o centro favorece jogadores canhotos, um trunfo para Everton Ribeiro.

Tite também pode celebrar o fato de ter visto uma seleção segura ao variar sistemas de jogo. Iniciou os três primeiros jogos num 4-2-3-1, buscando passar a um 2-3-5 ao atacar rivais que se defendiam mais: Lodi era o quinto atacante, atacando aberto pela ponta esquerda .

Contra o Uruguai, o jogo exigiu mais da defesa e os zagueiros foram bem nos duelos, com grande jogo de Thiago Silva e Marquinhos. E a seleção soube usar os espaços para atacar rapidamente quando roubava a bola. Além disso, o técnico equilibrou o time ao passar para o 4-4-2, com Jesus e Firmino como dupla de ataque.