Evo Morales deixa asilo no México e vai para a Argentina

SYLVIA COLOMBO
***FOTO DE ARQUIVO*** NOVA YORK, EUA - 23.09.2019: Evo Morales, presidente da Bolívia, na sede das Nações Unidas (ONU) em Nova York. (Foto: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Folhapress)

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, chegou na manhã desta quinta-feria (12) a Buenos Aires e ficará no país na condição de asilado, segundo confirmou o chanceler argentino, Felipe Solá.

Morales chegou num voo que deixou Cuba na noite anterior, e está realizando os trâmites burocráticos no Ministério do Interior.

"Evo Morales, seu vice, Álvaro García Linera, o ex-chanceler e uma ex-ministra, vieram com ele", declarou Solá a meios argentinos. O chanceler disse aos meios locais que "Evo está muito agradecido, ele nos disse que se sente melhor aqui que no México", disse. 

Morales já havia demonstrado intenção de vir à Argentina, país onde estão também seus dois filhos, para estar mais próximo da Bolívia e atuar, a partir do país, na liderança de seu partido, o MAS (Movimento ao Socialismo), segundo contou em uma entrevista a um programa de TV argentino, quando ainda estava no México.

Nessa ocasião, Morales disse que queria estar perto do país durante o processo eleitoral que deve ocorrer entre março e abril, segundo relatou à reportagem a chanceler Karen Longaric.

Na Argentina, há uma comunidade de mais de 600 mil bolivianos registrados e, de maneira informal, estima-se que esta população chegue a um milhão. As filas para votar em dia de eleição boliviana, na embaixada deste país, são sempre muito grandes.

O trajeto desde o México até Cuba foi realizado num avião venezuelano. Ainda não foi revelado qual aeronave Morales teria usado para chegar a Buenos Aires desde a ilha caribenha.

Morales tinha deixado o México com a justificativa de que iria fazer exames médicos em Cuba. O fato de o governo argentino ter mudado na terça-feira (10), o liberou para poder vir.

A nova administração da Argentina não reconhece o governo de Jeanine Áñez e ela não foi convidada para a posse de Fernández. "Para nós, na Bolívia há uma ditadura neste momento, houve rompimento da institucionalidade", disse o novo presidente.