Evo Morales encara longo caminho no retorno à Bolívia

Maria Lorente
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O ex-presidente boliviano Evo Morales rodeado por apoiadores na cidade de Orinoca, em 10 de novembro de 2020
O ex-presidente boliviano Evo Morales rodeado por apoiadores na cidade de Orinoca, em 10 de novembro de 2020

Da aldeia camponesa onde cresceu até a área de cultivo de coca onde forjou sua liderança: o ex-presidente Evo Morales encerra nesta quarta-feira (11), com um grande ato em Chimoré (centro), sua viagem pelos lugares mais significativos de sua vida, três dias depois de retornar à Bolívia.

Evo quase não descansou desde que chegou a Villazon (sul), depois de cruzar a pé a fronteira com a Argentina, onde ficou 11 meses exilado. A partir dali, atravessou em grande velocidade, com uma caravana de 100 veículos, 1.200 km por estradas construídas em sua maioria durante seu mandato (2006-2019).

"As demonstrações de carinho demandam nosso compromisso e lealdade com o povo mais humilde. Não os decepcionaremos", disse Morales emocionado, no meio do trajeto.

Cada lugar que visitou está carregado de grande simbolismo: Uyuni e o Salar, que deseja transformar na capital mundial do lítio; Orinoca, a cidade que o viu crescer.

Nesta quarta-feira, ele encerrará sua visita, junto ao recém-eleito presidente, Luis Arce, do partido de esquerda Movimento Ao Socialismo (MAS), seu próprio partido político, com um ato gigantesco em Chimoré, a aldeia onde construiu sua liderança, no Trópico de Cochabamba.

- "Evo é como nós" - 

Milhares de camponeses, ou mineradores, quase todos indígenas, aguardavam por horas o ex-presidente nos distintos povoados por onde a caravana passou.

Vestidos com trajes tradicionais, erguiam a whipala, a bandeira de sete cores que representa as comunidades andinas, e dançavam ao ritmo da música indígena de pequenas orquestras da Bolívia.

As diferentes comunidades lhe ofereceram pratos típicos, de quinoa até carne de lhama. Morales cumprimentava com abraços e pegava crianças no colo, sem nenhuma proteção sanitária contra a pandemia do coronavírus.

A maioria deles repete o mesmo: "Evo é como nós".

Com 11 milhões de habitantes, 34,6% dos bolivianos vive na pobreza. Em um contexto cada vez mais crítico, devido à pandemia, os bolivianos querem repetir o "milagre econômico" do governo de Morales, que teve Arce como ministro da Economia. À época, o país registrou um alto crescimento, e uma redução da pobreza, de 60% para 37%.

A Bolívia é um dos países latino-americanos com maior população indígena: 41% de seus 11,5 milhões de habitantes.

Em Chimoré, onde ocorrerá o grande ato, milhares de pessoas estão reunidas desde a madrugada. A estrada está cheia de veículos, e muitos precisaram caminhar mais de 10 km para chegar.

Este ato tem um aspecto especial para Morales: foi dali, exatamente um ano atrás, que partiu da Bolívia, após renunciar à Presidência em meio a protestos por sua polêmica quarta reeleição.

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