Evolução da pandemia preocupa e é desafio a operações, diz Shell

NICOLA PAMPLONA
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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL 09.06.2016 Entrevista com o presidente da Shell no Brasil, André Araújo, no prédio da empresa na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio (Foto: Mauro Pimentel/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1606101856045876
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL 09.06.2016 Entrevista com o presidente da Shell no Brasil, André Araújo, no prédio da empresa na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio (Foto: Mauro Pimentel/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1606101856045876

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Segunda maior produtora de petróleo no país e com investimentos de grande porte em outros segmentos do setor energético, a anglo-holandesa Shell tem hoje no Brasil a situação mais crítica em relação à pandemia entre todas as suas atividades globais.

Em entrevista para falar sobre a estratégia do grupo nesta sexta (16), o presidente da Shell Brasil, André Araújo, evitou comentários sobre o governo, mas mas admitiu que a empresa vê "com bastante preocupação" o cenário.

O Brasil, disse ele, é considerado peça-chave na estratégia da companhia, que prevê zerar as emissões líquidas de carbono até 2050. "Nossos investimentos no Brasil são de longo prazo e temos plena expectativa de que globalmente vamos ter a solução para a pandemia", afirmou.

Desde o início da pandemia, a Shell enfrentou três grandes surtos de contaminações pela Covid-19. O primeiro, em suas atividades em terra, o segundo em plataformas em alto mar e o terceiro e mais recente, entre os funcionários da área administrativa que estão em home office.

Atualmente, a empresa acompanha três funcionários, três familiares e quatro colaboradores de empresas contratadas internados por complicações da Covid-19. Desde o início da pandemia, 330 funcionários foram contaminados e um faleceu.

"A Shell teve fatalidades em diversos países e todas elas foram acontecendo nos momentos de pico da pandemia", afirmou. "Hoje, o Brasil é o local que contribui com o número maior [de contaminações]. Os números tiveram um pico interno no começo de janeiro e agora em março houve um pico grande também."

Questionado sobre a avaliação da companhia sobre a gestão da crise sanitária pelo governo, Araújo afirmou que não falaria "especificamente da condução de indivíduos".

"Mas posso dizer que a Shell tem incentivado desde o primeiro momento o uso adequado das regras básicas, como distanciamento social e o uso de máscaras", disse. "Temos sido cada vez mais rígidos nesse assunto e [somos] muito favoráveis à vacinação."

Demora na compra de vacinas, incentivo a aglomerações e questionamentos sobre o uso de máscaras estão entre os alvos de críticos da gestão federal e da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) aberta pelo Senado para investigar a ação do governo.

Apesar da permissão para a importação de vacinas por empresas privadas, a Shell diz que não interesse em negociar doses neste momento, "por entender que a priorização de vacinação deve ser dar dentro dos grupos de maior risco definidos pelas autoridades competentes".

Ao contrário da Petrobras, a Shell conseguiu passar pela pandemia sem suspender operações de plataformas de produção de petróleo no país.

A empresa é sócia da Petrobras em alguns dos maiores campos do pré-sal e, em fevereiro, extraiu uma média de 433 mil de barris de óleo e gás por dia em suas operações brasileiras. O volume equivale a 13% da média global de produção registrada pela companhia em 2020.

A Shell tem também operações nos segmentos de gás natural, geração de energia, distribuição de combustíveis e produção de etanol, os dois últimos por meio da Raízen, parceria com o grupo brasileiro Cosan.

No momento, a empresa constrói em Macaé, no litoral norte do Rio, a usina termelétrica Marlim Azul, a primeira projetada no país para usar gás do pré-sal. Parceria com o grupo Pátria, o projeto foi contratado em leilão de energia do governo em 2017.

Em dezembro de 2019, os parceiros assinaram com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) contrato de financiamento de R$ 2 bilhões. O projeto é parte de um esforço para encontrar mercados para sua produção de gás.

Para compensar as emissões de carbono por suas operações petrolíferas, a Shell prevê investimentos em reinjeção de gás carbônico e na aquisição de negócios mais sustentáveis, que devem receber ao menos US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões) por ano.

No Brasil, como parte dessa estratégia, a empresa negocia autorização para a implantação de dois parques de geração solar, uma na Paraíba e outro em Minas Gerais. Além disso, aposta no desenvolvimento de combustíveis renováveis pela Raízen.

"A entidade Shell Brasil Petróleo tem com carro chefe a produção de petróleo e gás e isso não vai mudar em dois minutos", comentou Araújo. "Mas temos estratégia muito alinhada com a estratégia global, principalmente no que diz respeito ao crescimento [em energias renováveis]."