Exército antecipa troca do comandante do Batalhão da Guarda Presidencial, alvo da desconfiança do Planalto

Um dos alvos da desconfiança do Palácio do Planalto, o tenente-coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora antecipará a sua saída do comando do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), subordinado ao Comando Militar do Planalto, em Brasília. A mudança na cúpula da unidade estava prevista para fevereiro, mas deverá ser adiantada para sexta-feira. Ele será substituído pelo tenente-coronel Nélio Moura Bertolino. Por sua vez, Fernandes ocupará uma função no Estado-Maior do Comando Militar do Planalto.

O tenente-coronel chefia a unidade estratégica, encarregada de proteger as sedes da Presidência da República. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva suspeitam de que ele tenha tido uma postura leniente durante os ataques golpistas do dia 8 de janeiro. Ele se tornou alvo de pressão do governo após a divulgação de um vídeo em que aparece discutindo com policias militares, enquanto vândalos destruíam o Palácio do Planalto. A mudança na cúpula do BGP, porém, estava acertada desde maio de 2022.

Nesta terça-feira, o ministro da Defesa, José Múcio, deixou explícitas as suspeitas em torno da atuação de Fernandes e disse que ele será punido, caso fique comprovada a suposta leniência.

— Esse próprio vídeo eu entreguei, porque mandaram para mim, e está sendo investigado. Se for provado, por que uns dizem que ele estava reclamando de procedimento, outros dizem que ele era culpado. A minha preocupação, e a do presidente também, é que nós não partamos para punir quem não merece, mas punir quem merece. Se for provado, ele será condenado — afirmou Múcio.

Integrantes da cúpula do Exército admitem que a antecipação da saída do comandante ajuda a contornar o desgaste entre o Planalto e a Força. Nesta terça-feira, também foi oficializado que o ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel, Mauro Cesar Barbosa Cid, não vai mais assumir o 1º Batalhão de Ações e Comandos, unidade de Operações Especiais, em Goiânia. Ele é alvo de investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) e, formalmente, apresentou um requerimento em que pede para não assumir mais o posto. O GLOBO apurou, no entanto, que o movimento foi negociado pelo novo comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva.

Os dois casos foram tratados na primeira reunião do novo comandante com a cúpula do Exército, realizada nesta terça-feira. General Tomás foi o escolhido para substituir o ex-comandante Júlio César Arruda, demitido no último sábado por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por resistir a fazer as mudanças. O ministro da Defesa, José Múcio, justificou a troca na cúpula da força alegando "fratura de confiança".

Outro militar alvo de insatisfação do Planalto é o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, o atual chefe do Comando Militar do Planalto (CMP), que para entorno do Lula foi leniente com os golpistas. Por ora, não há uma mudança prevista para ele. Todavia, integrantes do Exércitos dizem de forma reservada que alterações podem ocorrer no próximo mês com novas promoções na Força.

Segundo O GLOBO apurou, na reunião com o Alto Comando nesta terça-feira, o novo comandante recebeu o apoio dos demais 16 generais que compõem a cúpula da Força. Em seu discurso, Tomás falou da necessidade de demonstrar unidade, blindar a instituição da atual crise política e buscar a pacificação.