Ex-senador boliviano refugiado no Brasil é condenado a 5 anos de prisão

La Paz, 28 mar (EFE).- Um tribunal da cidade de Cobija, no norte da Bolívia, sentenciou nesta terça-feira a cinco anos de prisão o ex-senador opositor boliviano Roger Pinto Molina, refugiado no Brasil desde 2013, para onde fugiu com ajuda de quem hoje é chefe de gabinete do Itamaraty.

A diretora nacional Anticorrupção da Procuradoria Geral do Estado, Fanny Alfaro Vaquila, informou através de um comunicado que Molina recebeu a sentença de cinco anos por crimes de conduta antieconômica, resoluções contrárias à Constituição e às leis, descumprimento de deveres e uso indevido de influências.

Os fatos remetem ao ano 2000, quando, segundo a sentença, Molina realizou uma venda ilegal de terrenos quando era presidente da Zona Franca de Cobija, no norte amazônico da Bolívia.

Outros três funcionários receberam sentenças de um a cinco anos no mesmo processo por crimes relacionados.

Segundo as autoridades bolivianas, Molina tem uma sentença anterior por um prejuízo econômico ao Estado por uma soma de US$ 1,5 milhão, que foi ditada em 2013 sobre um caso que também data do ano 2000.

Molina ingressou na embaixada do Brasil em La Paz em 2012, quando era senador, alegando perseguição política do governo de Evo Morales, e mais tarde fugiu para território brasileiro com a ajuda do diplomata Eduardo Paes Saboia, que foi promovido a chefe de gabinete do Ministério das Relações Exteriores na quarta-feira passada.

O diplomata, então encarregado de negócios da embaixada do Brasil em La Paz, embarcou Molina em um automóvel oficial da embaixada que o conduziu, escoltado por soldados brasileiros, até a cidade de Corumbá, à qual chegou em agosto de 2013 sem que o governo boliviano tivesse expedido o devido salvo-conduto de saída.

Este fato provocou uma crise diplomática entre os dois países que acabou com a renúncia do então chanceler Antonio Patriota sob a presidência de Dilma Rousseff.

O Brasil não mostrou até o momento predisposição de tramitar a extradição do ex-senador Molina, razão pela qual as autoridades bolivianas não esperam que o político ingresse na prisão pela nova sentença. EFE