Militares dos EUA se opõem a eventual visita de Pelosi a Taiwan, diz Biden

A possível visita a Taiwan da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, levanta preocupações em Washington, e o presidente Joe Biden disse que os comandantes militares se opõem à mesma por medo de uma escalada nas tensões com a China.

Questionado sobre essa possível visita, Biden respondeu na noite de quarta-feira (20): "Os militares acham que não é uma boa ideia".

Recentemente, várias delegações americanas visitaram Taiwan, uma ilha com um governo autônomo que é apoiado pelos Estados Unidos, mas que a China considera uma província rebelde e reivindica como parte de seu território.

Nancy Pelosi seria a personalidade americana de mais alto escalão a visitar a ilha em décadas. De acordo com a Constituição, A congressista é, depois da vice-presidente Kamala Harris, a segunda na linha sucessória do presidente.

Pelosi disse que Biden não tinha falado diretamente com ela sobre Taiwan e acrescentou: "Talvez os militares temam que nosso avião seja derrubado ou algo assim por parte dos chineses".

"Nenhum de nós jamais disse ser favorável à independência quando se trata de Taiwan. Isso quem decide é Taiwan", frisou.

O gabinete da presidente da Câmara não confirmou sua visita, mas o vazamento do plano na imprensa enfureceu Pequim.

"A China se opõe veementemente a qualquer forma de intercâmbio oficial entre Estados Unidos e Taiwan. [...] Se Pelosi visitar Taiwan, [...] isso teria um sério impacto na base política das relações sino-americanas e enviaria o sinal errado para as forças pró-independência na ilha", reagiu um porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores na terça-feira (19).

"Se os Estados Unidos insistirem em seguir esta ideia [sobre Taiwan], a China tomará medidas firmes e fortes para salvaguardar  sua soberania nacional e integridade territorial", disse ele.

A polêmica chega em um momento ruim, pois Biden planeja conversar com seu colega chinês, Xi Jinping, "nos próximos dez dias", disse ele na noite de ontem.

O presidente dos EUA, que já lida com a invasão russa da Ucrânia e muitos problemas internos, não quer abrir uma nova frente, quando as tensões em torno de Taiwan já estão extremamente altas.

Por sua vez, o diretor da CIA, Bill Burns, disse recentemente que a questão não é se a China invadirá a ilha, mas "quando e como".

Biden já havia irritado Pequim no final de maio, ao afirmar que os Estados Unidos interviriam militarmente para apoiar Taiwan, no caso de uma invasão da China comunista. Mais tarde, voltou atrás e usou o termo "ambiguidade estratégica".

Esse conceito deliberadamente vago, que rege a política de Washington em relação a Taiwan há décadas, define que os Estados Unidos devem estabelecer o princípio de "uma China", cuja capital está em Pequim. Também não reconhece Taiwan oficialmente, mas a apoia militarmente, evitando mencionar uma interferência para defendê-la no caso de uma invasão.

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