Governo dos EUA reporta número "significativo" de migrantes presos

Washington, 2 mai (EFE).- O Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira pela primeira vez um relatório sobre os imigrantes presos para incrementar a "transparência" do governo e que mostrou uma "significativa" proporção de estrangeiros nas prisões do país.

O relatório mostra que há 45.493 pessoas nascidas fora dos EUA sob custódia do Escritório Federal de Prisões (BOP, na sigla em inglês), dos quais 3.939 se tornaram cidadãos americanos e 41.554 continuam tendo a cidadania de outros países.

No total, há 188.950 indivíduos em prisões federais, de forma que a proporção de estrangeiros é de 24%, segundo a recontagem do BOP em 25 de março deste ano.

Em um comunicado, o Departamento de Justiça considerou que essa proporção de 24% é "significativa".

A população imigrante era em 2015 de 43,3 milhões, o que representa 13,5% dos 321,4 milhões de pessoas que vivem nos EUA, de acordo com dados do Inquérito sobre a Comunidade Americana (ACS, por sua abreviatura em inglês), compilados pelo Escritório do Censo.

"Os estrangeiros ilegais que cometem delitos adicionais nos EUA são uma ameaça para a segurança pública e uma carga para nosso sistema de justiça penal", considerou em um comunicado o procurador-geral, Jeff Sessions.

"Por isso, devemos proteger nossas fronteiras através de um muro e uma aplicação efetiva da lei, e devemos fortalecer a cooperação entre o governo federal e os governos estaduais e locais, enquanto nos esforçamos para cumprir nosso sagrado dever de proteger e servir o povo americano", acrescentou Sessions.

A lista do Departamento de Justiça é publicada em cumprimento de uma ordem executiva assinada pelo presidente, Donald Trump, em 25 de janeiro e que procura "promover a transparência e criar consciência sobre os estrangeiros criminosos que vivem nos EUA", segundo seu texto.

Essa ordem instrui o procurador-geral e o secretário de Segurança Nacional, John Kelly, a publicar a cada três meses um relatório sobre os estrangeiros nas prisões federais e estaduais do país, bem como os sob custódia do Serviço de Delegados, o órgão que faz cumprir as ordens das cortes federais.

O BOP já tinha um sistema para apurar a nacionalidade dos presos e determinar se devem ou não ser deportados, e a única mudança neste aspeto é que os dados serão revelados ao público para "criar consciência" sobre os crimes cometidos por estrangeiros.

No entanto, a ordem de Trump modifica o funcionamento do Serviço de Delegados, que instaurou um novo programa para registrar os status migratórios de seus detidos e proporcionar esses dados aos agentes do Escritório de Imigração e Alfândegas (ICE), encarregado das deportações.

A primeira transferência de dados ao ICE aconteceu no dia 5 de abril e foi associada com 19 mil estrangeiros, detalhou o Departamento de Justiça.

A respeito das prisões estaduais, o governo não pôde proporcionar dados porque precisa da colaboração das autoridades locais, uma tarefa complicada para as que já iniciaram um novo programa no próprio Departamento de Justiça. EFE