Exército impede entrada da PM em área de acampamento bolsonarista

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizam ato golpista e invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília, para depredar os prédios no local. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizam ato golpista e invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília, para depredar os prédios no local. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Exército impediu na noite deste domingo (8) a entrada da Polícia Militar do Distrito Federal na área em que bolsonaristas extremistas estão acampados em Brasília, em frente ao quartel-general da Força.

Diversas viaturas da PM se dirigiram ao local após os ataques contra as cúpulas dos três Poderes, perpetrados por pessoas acampadas em frente o quartel-general.

Soldados da Polícia do Exército, equipados com escudos, formaram um cordão que impediu a passagem da PM. Foram posicionados três blindados para reforçar o bloqueio.

Fontes militares com conhecimento do assunto afirmaram que os policiais do DF tentaram entrar no Setor Militar Urbano, onde fica o quartel-general, sem aval do Exército.

Por isso, segundo os relatos, o Exército se mobilizou para impedir a entrada dos policiais.

Autoridades chegaram a se reunir para definir o que fazer no local. O interventor nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ricardo Capelli, participou da conversa.

Após um período, a PM se retirou do local. Os blindados também voltaram para o quartel, mas o cordão de soldados permanece.

O quartel-general fica localizado numa área de responsabilidade militar.

Na noite deste domingo, bolsonaristas radicais que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes voltaram ao quartel-general.

A segurança no local foi reforçada pela Polícia do Exército. Logo na entrada, soldados pediam para que os golpistas desmontassem as barracas.

Os bolsonaristas, no entanto, se negaram a retirar as estruturas e não foram forçados a deixar o espaço.

Uma cozinha montada no local serve sopa para os bolsonaristas. A Folha de S.Paulo flagrou pessoas chegando com engradados de água e de leite ao acampamento.

O Exército passou a proibir no fim de semana a entrada de carros na região do Setor Militar Urbano, onde fica o QG. Apesar disso, a quantidade de barracas aumentou de sexta-feira (6) para domingo com a chegada de caravanas de bolsonaristas radicais.

A maior parte dos bolsonaristas voltou da Esplanada dos Ministérios ao quartel-general do Exército a pé. O fluxo de pessoas aumentou por volta das 19h30, cerca de uma hora após as forças policiais retirarem os golpistas das proximidades da Praça dos Três Poderes.

Durante a tarde de domingo, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniu com o comandante do Exército, Júlio César de Arruda, e outros generais no Comando Militar do Planalto.

No encontro, Múcio e os generais avaliaram que os bolsonaristas não devem mais ficar em frente ao QG do Exército

Segundo relatos feitos à reportagem, a cúpula do Exército e do Ministério da Defesa ainda querem evitar o confronto com os golpistas, que pedem intervenção militar contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para encerrar o acampamento, portanto, os militares decidiram endurecer a estratégia de estrangular a logística dos bolsonaristas que pernoitam na frente do quartel-general.

A tática tem sido criticada por membros do governo Lula, que defendem uma ação mais incisiva do Exército para a retirada dos bolsonaristas.