Exército iraquiano inicia ofensiva para retomar Tikrit

Por Mohamad Ali Harissi
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Porta-voz de segurança do primeiro-ministro iraquiano, o tenente-general Qassem Atta, fala durante uma conferência de imprensa

O Exército iraquiano iniciou neste sábado o ataque para retomar a cidade de Tikrit, controlada pelos insurgentes sunitas, enquanto que os drones americanos sobrevoavam Bagdá apesar das garantias do primeiro-ministro Nuri al-Maliki sobre a segurança da capital.

De acordo com um oficial militar, o Iraque coordena com os Estados Unidos os esforços para combater o rápido avanço dos rebeldes liderados pelos jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL).

Diante da ameaça, o grande aiatolá Ali Al-Sistani, a principal autoridade religiosa xiita no Iraque, pediu aos líderes para se unirem para formar um novo governo a fim de superar a crise.

Muitos líderes estrangeiros também enfatizaram a necessidade de acompanhar uma ação militar contra os insurgentes de uma solução política para a crise que opôs as comunidades sunitas, xiitas e curdas.

As agências internacionais lançaram, por sua vez, um alerta sobre as consequência humanitárias do conflito, que levou 1,2 milhão de iraquianos a fugir de suas casas desde o início do ano.

A 160 km ao norte de Bagdá, milhares de soldados, apoiados por aviões, lançaram a ofensiva neste sábado sobre Tikrit, a cidade do ex-ditador Saddam Hussein, tomada em 11 de junho pelos insurgentes.

"Uma grande operação militar começou hoje para expulsar o EIIL de Tikrit", declarou o general Sabah Fatlawi, antes de destacar que os "combatentes do EIIL têm uma única alternativa, fugir ou serem mortos".

As tropas terrestres estão poucos quilômetros ao oeste da entrada da cidade, e estão empenhados em lutar com os jihadistas de EIIL, relataram testemunhas.

Segundo o general Qassem Atta, conselheiro de Maliki para a segurança, a Força Aérea realiza neste sábado ataques contra os insurgentes os insurgentes em Tikrit e o Exército já controla a estrada que liga Bagdá a Samarra, ao sul de Tikrit.

O Iraque reclama há semanas ataques aéreos americanos contra os insurgentes, mas os Estados Unidos se contentaram em enviar 300 conselheiros militares e anunciar um plano de 500 milhões de dólares para armar e treinar rebeldes moderados na Síria, para que participem da luta contra o EIIL no Iraque.

De fato, na Síria, o EILL atraiu a ira da rebelião como um todo, e confrontos entre os ex-aliados fizeram milhares de mortes desde janeiro.

Neste contexto, em visita a Damasco, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergueï Ryabkov, afirmou que seu país não ficará "de braços cruzados" frente a ofensiva dos jihadistas no Iraque, ainda que insistindo no fato de que no Iraque, assim como na Síria, a solução só virá "de um verdadeiro diálogo nacional".