Milhares vão às ruas de cidade dominicana pedir justiça no 'caso Odebrecht'

San Francisco de Macorís (R.Dominicana), 22 abr (EFE).- Milhares de pessoas percorreram neste domingo várias ruas da cidade de San Francisco de Macorís, na República Dominicana, para exigir que os envolvidos nos casos de propinas pagas no país pela Odebrecht sejam levados à Justiça e condenados.

Os manifestantes, através de cartazes e palavras de ordem, cobraram das autoridades uma investigação independente e também o retorno aos cofres públicos do dinheiro de "superfaturamentos de obras executadas no país pela Odebrecht de 2002 até hoje".

Representantes do movimento Marcha Verde, organizador do protesto, também rejeitaram o acordo entre o país e a empreiteira brasileira, homologado por um juiz na semana passada, alegando que favorece a Odebrecht e a agenda política do Partido da Liberdade Dominicana (PLD).

Além disso, os manifestantes pediram a destituição do procurador geral da República, Jean Alain Rodríguez, porque, segundo eles, "está agindo contra os interesses do povo dominicano". Eles também acusaram o presidente do país, Danilo Medina, de utilizar a "avassaladora máquina midiática" e todo o poder do governo para manipular e tentar desvirtuar as evidências que o incriminam como principal responsável, junto com a cúpula de seu partido, dos mais escandalosos e vergonhosos atos de corrupção registrados na República Dominicana nos últimos anos.

Em um documento, o grupo organizador do protesto afirmou que o governo de Medina e seus relacionados no sistema de justiça "corrupto" manipularam e desnaturalizaram de forma brutal figuras jurídicas do direito processual penal em vigor com a chamada homologação do "acordo de impunidade" entre o Estado dominicano e a Odebrecht, com a intenção de deixar sem efeito a perseguição criminal contra os executivos da multinacional.

Embora membros da Polícia Nacional e de outros órgãos de segurança tenham monitorado de perto a manifestação, não houve detenções ou distúrbios.

O protesto contou com a presença de líderes dos partidos políticos de oposição, de organizações populares, artistas e outras personalidades.

O juiz Danilo Quevedo validou, na última quarta-feira, o acordo entre a Procuradoria Geral da República e a Odebrecht, que deverá pagar US$ 184 milhões em oito anos, o dobro do que admitiu ter pagado em propinas no país, e revelar em 30 dias os nomes dos beneficiados, em troca de que seus funcionários não sejam julgados em território dominicano. EFE