Líder de rede mundial de crimes cibernéticos a bancos é preso na Espanha

Madri, 26 mar (EFE).- A polícia espanhola deteve nesta segunda-feira o líder de uma das maiores redes de criminosos cibernéticos envolvendo bancos no mundo, um cidadão ucraniano que chegou a infectar os sistemas de mais de cem entidades e esvaziar de forma remota seus caixas eletrônicos, conseguindo arrecadar mais de US$ 1 bilhão em um ano.

Formado em Informática, Denis K., casado, com cerca 35 anos e com residência desde 2014 em Alicante (sudeste da Espanha), onde foi detido, é considerado pelos investigadores um "gênio informático".

Após três anos de investigações, a Unidade Central de Crimes Cibernéticos da Espanha, em colaboração com a promotoria especial de Criminalidade Informática e a Europol, além do apoio do FBI, da Interpol e de agentes da polícia da Bielorrússia, conseguiu prendê-lo e desmantelar a organização, com a qual conseguiu mais de US$ 1 bilhão em apenas um ano saqueando "remotamente" entidades bancárias.

O ministro espanhol de Interior, Juan Ignacio Zoido, acompanhado de responsáveis policiais, ofereceu hoje detalhes desta operação na qual, além disso, foram detidas outras 15 pessoas no Reino Unido, Taiwan, Bielorrússia e Cazaquistão.

A organização usava fundamentalmente dois métodos para assaltar de forma "online" as entidades.

Por um lado, realizava um envio de e-mails maciços aos bancos com um arquivo anexado que continha um programa informático que infectava os computadores, abrindo assim a porta dos sistemas bancários aos criminosos cibernéticos.

Denis K. era o criador do vírus espalhado por ele e outros três membros, também de nacionalidades russas e ucraniana.

Uma vez tomado o controle dos sistemas informáticos das entidades e inutilizados os caixas eletrônicos, a rede dispunha de pessoas para recolher as notas em malas.

Desde que começou a operar em 2013, este grupo de delinquentes conseguir ter acesso a praticamente todos os bancos da Rússia.

Os lucros obtidos com cada ataque, que superavam US$ 1,5 milhão de média, eram transformados imediatamente em criptomoedas a fim de facilitar seu movimento em uma rede internacional de lavagem de capitais.

A organização representava "uma ameaça persistente contra o setor financeiro", já que após criar três software maliciosos, denominados Anunak, Carberp e Cobalt Strike, tinham preparadas novas versões, segundo explicaram fontes da investigação.

Apesar do elevadíssimo nível técnico de seus integrantes, os hackers necessitavam do apoio de outros grupos criminosos para coordenar o trabalho dos encarregados de extrair dinheiro dos bancos que atacavam em diferentes países.

Até 2015, foi a máfia russa a encarregada desta incumbência e a partir de 2016 foi feito na Moldávia.

Na revista realizada no domicílio do detido, foram confiscados equipamentos informáticos, joias avaliadas em 500 mil euros, diversos documentos e dois veículos de alto padrão, entre outros efeitos.

Além disso, foram bloqueadas as contas bancárias e dois imóveis avaliados em cerca de 1 milhão de euros. EFE