Exército ucraniano reivindica avanços e Rússia 'reagrupa' forças no leste

A Ucrânia reivindicou importantes conquistas territoriais neste sábado (10), incluindo a cidade de Kupiansk (leste), como parte de uma contra-ofensiva militar contra a Rússia, que decidiu reagrupar suas forças na frente oriental.

"Kupiansk é a Ucrânia", escreveu um oficial regional nas redes sociais, anunciando a reconquista daquela cidade na região de Kharkov (leste), fronteiriça com a Rússia, tomada pelas tropas de Moscou pouco depois do início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

As forças especiais ucranianas publicaram imagens mostrando seus combatentes "em Kupiansk, que era e sempre será ucraniana".

A reconquista total desta cidade de 27.000 habitantes representa um duro golpe para Moscou, pois é fundamental para abastecer outras posições russas no front oriental.

Pouco depois desse anúncio, o Ministério da Defesa russo informou que havia decidido "reagrupar" suas forças, movendo tropas da região de Kharkov "para reforçar nossos esforços ao longo da frente de Donetsk", mais ao sul.

- Situação "muito difícil" -

O dirigente da região separatista pró-russa de Donetsk, Denis Pushilin, reconheceu que a situação era "muito difícil" naquela área, que junto com Lugansk forma a bacia do Donbass, parcialmente controlada pelos separatistas pró-russos desde 2014 e epicentro da ofensiva russa nos últimos meses.

Pushilin citou especificamente o caso da cidade de Lyman, conquistada no final de maio por tropas russas, e relatou combates em "várias outras cidades" no norte da autoproclamada "República Popular de Donetsk", de acordo com um vídeo do Telegram.

"Somos simplesmente obrigados a ficar em Donbass e vamos ficar. Claro, vamos vencer", disse ele.

O líder da administração russa instalado em Izium, na região de Kharkov, também declarou que a situação naquela área era "muito difícil".

"Nas últimas duas semanas, a cidade foi bombardeada por forças ucranianas, o que está causando séria destruição e muitas mortes e feridos", declarou Vladislav Sokolov à agência de notícias russa RIA Novosti.

A contra-ofensiva da Ucrânia no leste está liberando "mais cidades e vilarejos", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Oleg Nikolenko.

"Sua bravura, juntamente com o apoio militar ocidental, está produzindo resultados extraordinários", acrescentou.

"É crucial continuar enviando armas para a Ucrânia. Derrotar a Rússia no campo de batalha significa uma vitória para a paz na Ucrânia", insistiu.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, anunciou na sexta-feira que suas tropas retomaram cerca de 30 cidades na região de Kharkov como parte da contra-ofensiva.

As forças ucranianas também estão "avançando ao longo da frente sul em várias seções, entre duas e várias dezenas de quilômetros", disse Nataliya Gumenyuk, porta-voz do comando sul do exército ucraniano, neste sábado.

Agências russas relataram seis explosões em Nova Jakovka, uma cidade controlada pelas forças russas naquela região.

- Apoio da Alemanha -

A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, visitou Kiev pela segunda vez neste sábado desde o início do conflito, em 24 de fevereiro, uma semana depois que o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmygal, viajou a Berlim, onde voltou a pedir mais armas.

"Eu viajei a Kiev para mostrar que eles podem continuar contando conosco", disse Baerbock em comunicado, assegurando que a Alemanha continuará apoiando Kiev "pelo tempo que for necessário, com suprimentos de armas e apoio humanitário e financeiro".

Nas últimas semanas, a Alemanha enviou obuses, lançadores de foguetes e mísseis antiaéreos para a Ucrânia, parte de um arsenal de armamento fornecido pelo Ocidente que, segundo observadores, pode ter prejudicado as capacidades militares da Rússia.

Sua visita seguiu outra do secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que prometeu quase US$ 3 bilhões em ajuda militar à Ucrânia e países vizinhos na quinta-feira.

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