Exército usa blindado para proteger instalações durante ataque em Guarapuava (PR)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Exército usou um veículo blindado para garantir a segurança de instalações militares em Guarapuava (PR), na madrugada desta segunda-feira (18), durante ataque de um bando a uma empresa de transporte de valores na cidade.

Por volta das 22h deste domingo, cerca de 30 criminosos armados atiraram contra um batalhão da Polícia Militar, incendiaram carros e fizeram reféns. Os ataques prosseguiram durante a madrugada. Dois policiais foram baleados.

Moradores da cidade de 182 mil habitantes, da região central do Paraná, registraram a noite violenta nas redes sociais. Os criminosos fugiram em direção ao interior do estado

Segundo o Exército, a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada utilizou uma viatura blindada Guarani para para transportar um efetivo de militares do 26º Grupo de Artilharia de Campanha, em Guarapuava, para reforçar a segurança de instalações de administração militar fora do perímetro do quartel.

O Exército negou que o blindado tenha sido usado para ajudar a polícia, como publicaram moradores de Guarapuava nas redes sociais, que filmaram o veículo saindo do quartel.

"Não houve nenhuma ação contra instalações militares", afirmou o Exército, em nota. "As providências adotadas seguiram o protocolo de segurança da organização militar, destinado a preservar a integridade física de patrimônio e pessoal."

O VBTP-MR (Viatura Blindada de Transporte Pessoal Média sobre Rodas) Guarani é um blindado anfíbio — ou seja, que pode se locomover na terra e na água— desenvolvido pela divisão de defesa da Iveco, subsidiária da Fiat, em parceria com o Exército brasileiro. Ele é produzido na fábrica de Sete Lagoas, em Minas Gerais, a primeira da empresa neste segmento fora da Europa.

O Guarani, segundo o Exército, foi desenvolvido para substituir o lendário Urutu, fabricado pela Engesa. O primeiro modelo foi entregue em 2013.

Com capacidade para transportar até 11 pessoas, o blindado tem 7,04 m de comprimento e 2,7 m de largura e pesa até 17, 7 toneladas. Segundo o Exército, a blindagem suporta tiro de armamento 7,62 mm e estilhaços de granada.

O Guarani é modular, ou seja, permite a incorporação de diferentes torres, armas, sensores e sistemas de comunicação. Na sua configuração básica de armamento, pode contar com metralhadoras .50 ou 7,62 mm. É projetado para atingir alvos aéreos e terrestres.

Com potência de até 383 cv e tração 6x6, o motor do Guarani pode proporcionar uma velocidade máxima de até 110 km/h na terra, segundo o Exército. Sua autonomia é de 600 km.

De acordo com o Ministério da Defesa, a plataforma do blindado permite a produção de uma família de até dez diferentes versões do Guarani, entre elas viaturas de reconhecimento, socorro, posto de comando e controle, porta morteiro e ambulância.

A AÇÃO

Os criminosos fugiram em direção ao interior do estado. Ainda não há informações oficiais sobre o estado de saúde dos feridos. A polícia também não informou até o momento detalhes sobre a tentativa de assalto.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal do Paraná, o trânsito foi interditado nos kms 353 e 330 da rodovia BR 277 por dois caminhões incendiados pelos criminosos. As interdições estão ligadas aos ataques na cidade.

Ações desse tipo acontecem desde 2018. Elas são realizadas por quadrilhas especializadas e fazem parte do chamado novo cangaço. São invasões de cidades de pequeno e médio porte por criminosos fortemente armados, em grupos de 15 a 30 homens, que chegam durante a noite ou madrugada em comboios.

Em agosto do ano passado, uma quadrilha fez uma das ações mais agressivas do novo cangaço ao invadir Araçatuba, a 521 km de São Paulo. O grupo explodiu e roubou duas agências bancárias, fez moradores reféns, disparou bombas e ateou fogo em veículos durante a fuga. Três pessoas morreram na ação e outras quatro ficaram feridas.

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