Ex-arcebispo francês reconhece 'gestos inapropriados' a uma jovem maior de idade

Um ex-arcebispo francês reconheceu, em um comunicado nesta quarta-feira (16), ter feito "gestos inapropriados" para "uma jovem maior de idade" nos anos 1980, que foram objeto de uma denúncia na Justiça.

"Uma investigação canônica está atualmente em curso e uma denúncia foi feita na Justiça civil", detalhou Jean Pierre Grallet, que atuou como arcebispo de Estrasburgo entre 2007 e 2017, em um comunicado difundido pela Conferência Episcopal da França (CEF).

A procuradora da República em Estrasburgo, Yolande Renzi, anunciou a abertura de uma investigação criminal por "atos de natureza sexual" contra uma mulher maior de idade na década de 1980.

"No verão [europeu] de 2022, soube da declaração desta mulher e lhe escrevi imediatamente para pedir perdão", indicou Jean Pierre Grallet, de 81 anos.

Os fatos remontam "ao outono [europeu] de 1985, quando ele era sacerdote", indicou em um comunicado separado o atual arcebispo de Estrasburgo, Luc Ravel.

Estes "chegaram a meu conhecimento por parte da vítima, em dezembro de 2021. Em janeiro de 2022, informei à procuradora de Estrasburgo e às autoridades em Roma. As investigações estão em andamento", acrescentou Ravel.

Por sua vez, Grallet afirma que "perdeu a cabeça" e "feriu uma pessoa".

"O perdão que lhe pedi expresso também a todos os seus entes queridos, assim como a todos os que hoje sofrerão com o impacto desta revelação", explicou o arcebispo emérito de Estrasburgo, que vive recluso em um santuário de Moselle.

"Com esta declaração pública, desejo contribuir com a verdade e assumir minha responsabilidade", indicou.

Em 8 de novembro, durante uma entrevista coletiva, o presidente da CEF, Éric de Moulins Beaufort, revelou que 11 ex-bispos haviam tido problemas com a Justiça civil e a canônica por violência sexual ou por não terem denunciado abusos.

O responsável se referiu a um comportamento "reprovável" com uma jovem de 14 anos por parte do ex-arcebispo de Bordeaux (sudoeste), o cardeal Jean Pierre Ricard.

Nesta quarta, detalhou que Grallet era "um dos três bispos fora de serviço" mencionados em 8 de novembro que estão sendo "objeto de investigações" penais e canônicas.

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