Ex-assessor de Flávio na Alerj diz que devolvia 80% do salário para então mulher de Bolsonaro

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RIO — Um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) no período em que ele foi deputado estadual no Rio afirmou que entregava 80% do salário de R$ 7.326 que recebia para a advogada Ana Cristina Valle, então mulher do presidente Jair Bolsonaro. Flávio é acusado de operar um esquema de “rachadinha” e foi denunciado pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Ana Cristina, por sua vez, é investigada por um suposto esquema de funcionários fantasmas e “rachadinha” na época em que foi chefe de gabinete do vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos). A revelação foi feita pelo portal “Metrópoles”.

É o segundo ex-assessor de Flávio que revela a devolução de salários. Em novembro do ano passado, O GLOBO mostrou que Luiz Souza afirmou ao MP-RJ que era obrigada a devolver mais de 90% do que recebia. Ela apresentou extratos bancários para comprovar que, entre 2011 e 2017, repassou R$ 160 mil para Fabrício Queiroz, que também atuou o gabinete e é outro alvo da denúncia dos promotores que atinge Flávio.

Marcelo Luiz Nogueira de Santos, que esteve lotado no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entre 2003 e 2007), diz que devolveu, ao todo, cerca de R$ 340 mil, e que a prática era condição para a manutenção do emprego. Os valores, segundo ele, eram sacados e repassados em espécie. De acordo com Nogueira, outros funcionários dos gabinetes de Flávio e Carlos também repassavam a Ana Cristina os valores — a missão de arrecadar os recursos teria ficado depois com Queiroz. Segundo ele, Flávio, Carlos e Jair Bolsonaro tinham conhecimento do que ocorria.

Também ao portal “Metrópoles”, o ex-assessor afirmou que Ana Cristina é a real proprietária da casa onde mora atualmente, no Lago Sul, região nobre de Brasília — ela diz que o imóvel é alugado. Segundo Nogueira, a advogada firmou contratos de gaveta com dois laranjas, que aparecem como titulares do negócio, com o intuito de não chamar a atenção. A nova moradia da ex-mulher do presidente, no entanto, foi revelada há uma semana pela revista “Veja”.

Nogueira trabalhou na casa em Brasília entre fevereiro e junho deste ano e vem deste período a terceira acusação contra Ana Cristina. Ele afirmou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que trabalhava sem carteira assinada, que a situação era análoga à escravidão e que recebia um salário inferior ao que havia sido combinado (R$ 1,3 mil no lugar de R$ 3 mil). Antes, ele já havia trabalhado na casa de Ana Cristina em Resende, no sul do estado.

A relação com a família também inclui uma proximidade com Jair Renan Bolsonaro, filho de Ana Cristina e do presidente. Nogueira diz que o próprio chefe do Executivo pediu a ele que, após a separação do casal, fosse morar com a advogada para ser "babá" de Jair Renan, que então era uma criança. Há dois meses, o filho do presidente publicou uma foto no Instagram ao lado de Nogueira, a quem chamou de amigo. "Você me ensinou muito, especialmente a como me tornar uma boa pessoa. Sua empatia e seu carinho são contagiantes, e eu serei eternamente grato".

Ana Cristina e Carlos tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça do Rio na investigação que apura a existência de funcionários fantasmas e a suposta prática de rachadinha.

Ao “Metrópoles”, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que desconhece as afirmações do ex-assessor e que o parlamentar não tem ciência de supostas irregularidades que possam ter sido cometidas por ex-funcionários de seu antigo gabinete na Alerj. As defesas de Carlos e Ana Cristina não foram localizadas.

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