Ex-assessores de Carlos Bolsonaro na Câmara não comprovavam frequência

Dois ex-funcionários do gabinete de Carlos não comprovavam frequência. (Foto: Sergio Lima/AFP/Getty Images)

Dois ex-funcionários do gabinete de Carlos Bolsonaro (PSL) na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro nunca emitiram crachás funcionais ou sequer registraram entradas como visitantes na Casa.

As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Os ex-funcionários do gabinete de Carlos, filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), são ligados a Fabrício Queiroz e já foram servidores de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), outro filho do presidente, quando Flávio ainda era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Queiroz e Flávio, hoje senador, são investigados pelo Ministério Público do Rio pela movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão.

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“Se for servidor da CMRJ, para qualquer função que exercer, deverá utilizar o crachá funcional. (...) Para nomeado para cargo em comissão ou efetivado via concurso público, o crachá funcional será emitido para acesso às dependências do Legislativo, seja qual for a atividade a ser exercida”, diz a nota enviada pela assessoria da Câmara do Rio ao jornal.

Os dois ex-funcionários, identificados como Claudionor Gerbatim de Lima e Márcio da Silva Gerbatim, não possuem nenhum dos dois tipos de comprovação de presença durante o tempo em que constavam como lotados no gabinete de Carlos.

Claudionor e Márcio fizeram uma espécie de rodízio entre os gabinetes de Flávio Bolsonaro, na Alerj, e de Carlos Bolsonaro, na Câmara dos Vereadores. Márcio foi empregado como motorista pelo vereador entre abril de 2008 e abril de 2010, depois sendo nomeado como assessor-adjunto no gabinete de Flávio na Alerj. Lá, permaneceu até maio de 2011, quando, no mesmo dia, Claudionor ganhou a vaga no gabinete de Carlos na Câmara.

Além disso, Claudionor e Márcio são, respectivamente, sobrinho da atual mulher de Fabrício Queiroz e ex-marido dela.

INVESTIGADOS

Os dois ex-assessores são investigados pelo MP do Rio e tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados na ação que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro no gabinete de Flávio na Alerj, entre 2007 e 2018.

Na mesma ação, o MP investiga também a prática de “rachadinha”, que consiste na devolução de parte dos salários de assessores fantasmas ao parlamentar que os nomeou.

A investigação foi aberta após um relatório do governo federal ter apontado movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Queiroz, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.

Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo, em data próxima do pagamento de servidores da Assembleia.

OUTRO LADO

Por telefone, o chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, Jorge Luís Fernandes, afirmou à reportagem do Estado de São Paulo que a Câmara do Rio já havia respondido aos questionamentos da reportagem, e garantiu que Claudionor e Márcio foram funcionários efetivos do vereador.