Ex-assessores de Flávio Bolsonaro sacaram ao menos R$7,2 milhões e reforçam suspeita de "rachadinha"

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Foto: REUTERS/Sergio Moraes
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Ex-assessores do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) investigados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) sacaram, em dinheiro vivo, ao menos R$ 7,2 milhões. A quantia em espécie corresponde a 60% do que os servidores receberam dos cofres públicos e aponta para um possível esquema de devolução de parte dos salários, ação que é base para o esquema da “rachadinha". As informações são do Estado de S. Paulo.

De acordo com o veículo, os saques coincidiram com os períodos nos quais, de acordo com o MP-RJ, Flávio quitou despesas pagando em dinheiro vivo. A quantia inclui as movimentação de 24 ex-funcionários do agora senador quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. Os valores sacados por Fabrício Queiroz, ex-assessor e apontado como operador financeiro do suposto esquema, não foram considerados para chegar ao montante. O filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Queiroz negam as irregularidades.

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Dois imóveis em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, comprados em 2012 formam um dos casos apontados pelos investigadores. Flávio Bolsonaro, de acordo com investigação do MP, teria pagado R$ 638 mil “por fora” ao vendedor, enquanto os registros oficiais indicam uma compra de R$ 310 mil, pagos de forma legal. O então deputado estadual também usou R$ 86,7 mil em dinheiro na compra de 12 salas comerciais, em 2008.

“Essa prática de subfaturamento de registros imobiliários na compra possibilita a simulação de ganhos de capital em patamares expressivos na ocasião da revenda, razão pela qual é instrumento corriqueiramente utilizado para lavagem de capitais já catalogado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)e pelos principais organismos internacionais”, diz a Promotoria na investigação de acordo com o Estadão.

Um fato constante nas denúncias é o uso de dinheiro vivo em compras de grande valor, tido como uma ferramenta usual ligada ao crime de lavagem de dinheiro por não deixar “rastros” no sistema financeiro. O MP-RJ suspeita que Flávio, utilizando desse artifício, estaria encobrindo a “rachadinha”.

Fabrício Queiroz e sua esposa Marcia Aguiar, cumpriam prisão domiciliar até essa quinta-feira (13), quando uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) determinou que ambos fossem para o regime fechado.