Ex de Bolsonaro fez transações atípicas e incompatíveis com salário, diz jornal

***ARQUIVO***RESENDE, RJ, 16.09.2018 -  Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***RESENDE, RJ, 16.09.2018 - Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Ana Cristina Valle, candidata a deputada distrital pelo PP (Partido Progressista) no Distrito Federal e ex-esposa do presidente Jair Bolsonaro (PL), movimentou mais de R$ 9 milhões de 2019 até 2022 e fez transações "atípicas" e "incompatíveis" com seu salário, segundo análise da Polícia Federal revelada pelo jornal O Globo.

As afirmações da PF se baseiam em um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), elaborado para ser utilizado como base para pedir à Justiça Federal uma investigação contra a ex-esposa de Bolsonaro após ela comprar uma mansão em um bairro nobre de Brasília, avaliada em R$ 3 milhões.

No espaço temporal em que moveu R$ 9,3 milhões, a candidata a deputada distrital atuou como assessora do vereador Renan Marassi (PL), ainda em Resende, no Rio de Janeiro, e depois como auxiliar parlamentar da deputada federal Celina Leão (PP-DF), dessa vez em Brasília, e com salário líquido de R$ 6.200. Ana Cristina deixou esse último emprego para concorrer nas eleições deste ano.

Durante esse período, Ana Cristina recebeu R$ 4,2 milhões em suas contas bancárias e removeu delas R$ 4,3 milhões. A maioria das transações teria ocorrido entre junho de 2019 e junho de 2021, de acordo com relatório do Coaf.

O UOL tenta contato com Ana Cristina, mas não havia obtido retorno até a publicação deste texto. Ao Globo, ela negou a movimentação financeira e disse que abrirá uma investigação contra o Coaf, que "mentiu e praticou fraude".

INVESTIGAÇÃO

No fim de agosto, a PF solicitou a abertura de uma investigação para apurar a movimentação financeira da ex-esposa de Bolsonaro na compra da mansão em Brasília.

Segundo fontes da PF, o pedido foi feito durante a apuração que analisava as relações de Jair Renan Bolsonaro, filho do presidente e de Ana Cristina, com empresários em reuniões com o governo. O delegado do caso quer apurar a legalidade da compra da casa.

A existência do imóvel foi revelada pelo UOL há um ano, ocasião em que Ana Cristina negou ser a dona do imóvel. "Claro que não", disse Cristina à reportagem, em 26 de agosto de 2021. Na época, um corretor informou que a casa era alugada. Neste ano, porém, ela declarou à Justiça Eleitoral ser a proprietária da casa.