Ex-Bope mentiu à PM e seguia usando carteira funcional mesmo após expulsão

Marcos Nunes

O ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega, morto na Bahia no último dia 9, mentiu à Polícia Militar do Rio e seguiu usando sua carteira funcional mesmo após ser expulso da corporação, em 2014. O documento foi apreendido por agentes do Bope da Bahia, quando Adriano foi morto, num sítio do município de Esplanada. Nesta sexta-feira, o Departamento de Repressão ao Crime Organizado da Bahia (Draco-BA) confirmou ao EXTRA a autenticidade da carteira. Já a PM do Rio afirmou que Adriano alegou, na época, que a carteira havia sido extraviada.

Expedida em 24 de agosto de 2009, o documento trazia a foto e o nome do ex-caveira. Em janeiro de 2014, Adriano foi expulso da PM por decisão do Tribunal de Justiça do Rio por prestar serviços de segurança para um bicheiro.

A carteira, usada pelo ex-oficial passar por barreiras policiais na estrada, foi remetida a promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, que investigam a atuação de Adriano numa série de assassinatos. No fim de janeiro, quando o miliciano fugiu de um cerco num condomínio da Costa do Sauípe, a polícia já havia apreendido outra identidade, desta vez falsa, que era usado com a foto do miliciano, mas o identificando com o nome de outra pessoa.

A ligação de Adriano com o pecuarista Leandro Guimarães, fazendeiro baiano que o levou para o sítio onde foi localizado e morto pela polícia, durou pelo menos dois anos. No dia 18 de janeiro de 2018, o ex-capitão participou como competidor, na categoria amador, de uma vaquejada na Fazenda Parque Gilton Guimarães, no município de Esplanada. Um dos donos da propriedade, Leandro também foi um dos competidores do evento que tinha premiação de R$ 100 mil e que fazia parte da primeira etapa de vaquejadas do circuito Bahia/Sergipe.

De acordo com um site de divulgação da prova, Adriano alcançou apenas oito pontos e não foi um dos premiados. Mais de um ano depois, no dia 5 de julho de 2019, advogados do ex-oficial arrolaram o pecuarista como testemunha de defesa do ex-oficial num processo em que ele era acusado de integrar a milícia que agia em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.

A Draco vai interrogar Leandro na semana que vem. O objetivo é o de que o pecuarista preste esclarecimentos sobre o grau de amizade que mantinha com Adriano. Ao ser preso, no domingo, por posse de três armas, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, ele foi ouvido e disse apenas que conheceu o ex-capitão em vaquejadas. Ele não citou datas, e também nada falou sobre o fato de ter sido arrolado como testemunha de Adriano. Até outubro de 2019, ele ainda não havia sido intimado por uma carta precatória. Na última terça-feira, a Justiça da Bahia negou pedido para converter a prisão em flagrante de Leandro em preventiva, e concedeu liberdade provisória ao pecuarista.