Ex-braço direito de Johnson critica duramente o primeiro-ministro britânico

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O então conselheiro especial Dominic Cummings, em uma entrevista coletiva em Downing Street, 10, no centro de Londres, em 25 de maio de 2020

Dominic Cummings, o ex-braço direito de Boris Johnson, criticou duramente o primeiro-ministro britânico nesta sexta-feira(23), chamando-o de incompetente, e questionou sua integridade em vários escândalos recentemente revelados.

Em nota em seu site, Cummings, considerado o idealizador da vitória do "sair" no referendo do Brexit de 2016, considerou que é "triste ver o primeiro-ministro e sua equipe atingirem níveis tão altos de incompetência e falta de integridade que o país merece."

Este polêmico conselheiro estrelou uma saída tempestuosa do executivo em novembro de 2020.

Cummings negou ter vazado o SMS que revelou as supostas condições privilegiadas das quais James Dyson e sua empresa de eletrodomésticos se beneficiaram por meio da suposta intermediação de Johnson.

A BBC revelou recentemente a troca de mensagens em que Dyson pediu a Johnson para "consertar" as condições fiscais de seus funcionários que tiveram que ir ao Reino Unido para fabricar respiradores durante os primeiros meses da pandemia.

De acordo com a rede britânica, o primeiro-ministro respondeu em março de 2020: "Vou consertar amanhã! Precisamos de você."

Cummings também se referiu a um projeto de Johnson para financiar a construção de sua casa com doações privadas.

"O governo sempre atuou de acordo com os códigos de conduta apropriados e a lei eleitoral", reagiu diante das críticas um dos porta-vozes de Downing Street.

"Todas as doações foram declaradas e publicadas de maneira transparente", completou.

O ex-vereador, que pede a abertura de um inquérito parlamentar sobre os casos, nega tê-lo ajudado na execução desses projetos e garante que lhe disse que foram "antiéticos, estúpidos e talvez ilegais".

Ele também acusa Johnson de ter tentado impedir uma investigação interna sobre o vazamento de uma decisão de impor um novo confinamento, uma vez que afetava um dos conselheiros da parceira romântica de Johnson, Carrie Symonds.

A oposição não demorou a reagir a essas acusações explosivas e a número dois do Partido Trabalhista, Angela Rayner, acusou o governo conservador de "oscilar entre a dissimulação e a falta de controle".

"Isso mostra um desdém pelo país que me assusta", acrescentou Rayner, que acusou Johnson de "mergulhar cada vez mais fundo no atoleiro da corrupção".

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