Ex-capitão Adriano admitiu, em depoimento sobre caso Marielle, que trocava de celular com frequência; saiba

Vera Araújo

RIO — Uma das peças do quebra-cabeça em torno da investigação do caso Marielle e acusado de chefiar o grupo de extermínio Escritório do Crime, o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega — morto pela polícia no último domingo, na Bahia — usava a estratégia de mudar frequentemente de número de celular e de chip de telefonia para garantir sua "invisibilidade'' desde a época do crime contra a vereadora e seu motorista, Anderson Gomes.

Em depoimento prestado por ele na Delegacia de Homicídios da Capital (DH) em agosto de 2018, cinco meses depois dos assassinatos, Adriano chegou a ser questionado sobre a prática. Embora tenha negado a utilização de "aparelhos buchas'' (adquiridos em nome de outras pessoas), ele admitiu que trocava de celular por medida de segurança e preservação de sua privacidade. Na ocasião, o ex-capitão disse não recordar o número que usava nos meses anteriores e subsequentes às mortes.A polícia encontrou 13 celulares e sete chips na casa onde Adriano estava escondido, na cidade de Esplanada, distante 170 quilômetros de Salvador. Todo esse material passará por uma perícia da feita pela Polícia Civil do Rio.