Ex-CEO do McDonald's pagará multa de R$ 2,1 milhões por enganar investidores sobre sua saída

O ex-CEO da McDonald's Stephen Easterbrook concordou em pagar uma multa de R$ 2,1 milhões ( o equivalente a US$ 400 mil) após as alegações da Securities and Exchange Commission (SEC), a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, de que ele fez declarações falsas aos investidores sobre a natureza de sua demissão conflituosa em novembro de 2019.

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Segundo a SEC, Easterbrook não divulgou totalmente as violações da política da empresa, entre elas enviar mensagens com conteúdo sexual e manter relações com funcionárias, que levaram à sua saída. O órgão regulador entende que ele violou disposições antifraude por fechar um acordo com o McDonald's segundo o qual sua rescisão foi "sem justa causa".

Sendo assim, os termos de sua saída permitem que Easterbrook "retenha patrimônio substancial", que ele teria perdido caso sua demissão tivesse sido por justa causa, disse a agência em um comunicado. Os advogados de Easterbrook, que não admitiram ou negaram as alegações da SEC como parte do acordo, não responderam imediatamente a um pedido de comentário por e-mail.

A penalidade é a última reviravolta de uma saga de anos envolvendo o mandato de Easterbrook. No fim de 2021, ele concordou em devolver R$ 556 milhões (US$ 105 milhões) em dinheiro e prêmios de ações para encerrar um processo judicial da rede de fast-food. A quantia é o que Easterbrook teria perdido se tivesse falado sobre suas condutas e sido demitido por justa causa, disse a empresa com sede em Chicago na época.

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A SEC informou que não estava impondo uma penalidade financeira ao McDonald's "à luz da cooperação substancial" com a SEC durante a investigação e das medidas corretivas que a gigante do fast food tomou. Além de sua penalidade financeira, como parte do acordo, Easterbrook concordou com uma proibição de não exercer cargo executivo ou de diretor por um prazo de cinco anos.

Um advogado do McDonald's a par do assunto também não respondeu a um pedido de comentário.

“Ao supostamente esconder a extensão de sua má conduta durante a investigação interna da empresa, Easterbrook quebrou a confiança com – e, finalmente, enganou – os acionistas”, disse Gurbir Grewal, diretor da divisão de fiscalização da SEC, em comunicado.

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A nota acrescenta:

“Quando os executivos corporativos corrompem processos internos para administrar suas reputações pessoais ou encher seus próprios bolsos, eles violam seus deveres fundamentais para com os acionistas, que têm direito à transparência e negociação justa por parte dos executivos.