Ex-chefes do Pentágono preocupados com relações entre civis e militares nos EUA

Ex-chefes do Pentágono expressaram nesta terça-feira(6) sua preocupação pelo risco de deterioração das relações entre civis e militares nos Estados Unidos.

"Estamos em um ambiente civil-militar extremamente complexo", advertiram em uma carta aberta oito ministros de Defesa e cinco ex-chefes do Estado-maior antes de listarem 16 princípios que devem guiar as relações entre militares e população civil.

"Politicamente, os militares enfrentam um ambiente extremamente adverso caraterizado pelas divisões de uma polarização que culminou na primeira eleição em mais de um século na qual a pacífica transferência do poder político foi conturbada", disseram.

"Todos estes fatores correm o risco de se agravar antes que as coisas se acalmem", advertem os ex-secretários de Defesa, entre eles, o republicano Bob Gates, o democrata Leon Panetta, além de dois do governo de Donald Trump, Jim Mattis e Mark Esper, destituídos por se oporem ao ex-presidente republicano.

Trump foi acusado de politizar o Exército americano ao mobilizar soldados na fronteira mexicana para deter migrantes que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Ele também recorreu aos militares para operações de manutenção da ordem durante as manifestações antirracistas de 2020.

Em uma dessas ocasiões, um protesto em torno da Casa Branca foi dispersado violentamente para que Trump fosse fotografado com uma Bíblia na mão em frente a uma igreja. Imagens do chefe do Estado-maior, general Mark Milley, de uniforme foram registradas atrás de Trump, gerando um pedido público de desculpas dias depois.

Já o presidente Joe Biden foi criticado pela retirada caótica de suas tropas do Afeganistão no ano passado e recentemente por pronunciar um discurso muito crítico a seu antecessor com dois oficiais da Marinha a seu lado.

Os ex-chefes do Pentágono afirmam em documento publicado pelo site especializado War on the Rocks que os militares devem aceitar as ordens de civis, mesmo que não estejam de acordo, contanto que sejam legais.

"Qualquer que seja o processo, os mais altos responsáveis políticos e militares têm como responsabilidade garantir que as ordens que recebem do presidente sejam legais", escreveram, exigindo também aos civis que "assumam as responsabilidades" por suas ordens.

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