Ex-comandante diz que Exército impediu PM de prender golpistas nos ataques do dia 8

Coronel também revelou que tentou desmobilizar acampamento bolsonarista, mas foi impedido

Ex-comandante da PM do DF, coronel Fabio Augusto Vieira afirmou que o Exército não permitiu a prisão de golpistas no dia do ataque terrorista, em Brasília. (Foto: Divulgação/Polícia Militar do Distrito Federal)
Ex-comandante da PM do DF, coronel Fabio Augusto Vieira afirmou que o Exército não permitiu a prisão de golpistas no dia do ataque terrorista, em Brasília. (Foto: Divulgação/Polícia Militar do Distrito Federal)

Ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), o coronel Fábio Augusto Vieira disse em depoimento que o Exército impediu a prisão de vândalos após os atos golpistas do último dia 8 em Brasília. Era ele o responsável pela corporação na data.

Aos agentes, o coronel garantiu que:

  • Exército impediu prisões de vândalos em Brasília

  • Não teve influência em uma suposta "facilitação" dos ataques

  • Acampamento bolsonarista no QG do Exército "contribuiu muito" para o ato

  • Tentou desmobilizar os acampamentos, mas foi impedido

O PM foi detido pela Polícia Federal e é investigado por suposta omissão no episódio de vandalismo protagonizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele segue detido.

O depoimento de Fábio Augusto, concedido no dia da prisão do ex-comandante, foi divulgado pela TV Globo, que revelou que o coronel acusou o Exército de impedir a entrada dos PMs nos prédios dos Três Poderes para prender os terroristas.

O coronel revelou que os setores de inteligência da PM garantiam que os atos seriam pacíficos e negou que participou de uma "tentativa de facilitar" os atos golpistas.

Influência dos acampamentos

Na visão do investigado, o acampamento golpista localizado no QG do Exército em Brasília foi fundamental para o sucesso dos atos terroristas na capital federal.

Fábio Augusto afirmou que as forças de segurança do Distrito Federal tentaram, por diversas vezes, desmobilizar a manifestação bolsonarista, mas foram atrapalhadas pelo Exército.

O local onde estava o acampamento é de responsabilidade das Forças Armadas. Após os episódios de violência, a desmobilização finalmente aconteceu e 1,8 mil pessoas foram detidas.

Reuniões não foram efetivas

Ainda no depoimento, o coronel revelou que uma reunião entre a cúpula da Secretaria de Segurança do DF e o Exército aconteceu após atos de violência de 12 de dezembro, quando bolsonaristas tentaram invadir a sede da PF, depredaram o prédio e queimaram ônibus e carros pela cidade.

Na ocasião, "por duas vezes tentaram fazer essa desmobilização dos acampamentos, mas não obtiveram êxito por solicitação do próprio Exército; que a PMDF chegou a mobilizar cerca de 500 policiais militares, mas o Exército entendeu que era melhor eles fazerem essa desmobilização utilizando seus próprios meios", segundo Fábio Augusto.