Ex-Corinthians quebra barreiras na Rússia e busca novas façanhas

Fábio Paine
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Michael Huff - o do meio, com a taça na mão - comemora o título da Copa da Rússia de 2018 (Fábio Paine)
Michael Huff - o do meio, com a taça na mão - comemora o título da Copa da Rússia de 2018 (Fábio Paine)

MOSCOU (RÚSSIA) - Encontrar brasileiros atuando no futebol russo há algumas décadas é tarefa fácil. Mas enquanto jogadores já conseguiram com sucesso desbravar este mercado, ganhar títulos e se tornarem ídolos, o mesmo ainda não se pode dizer nas comissões técnicas.

Atualmente na Rússia, apenas dois brasileiros fazem parte fixa do staff dos 16 clubes da primeira divisão. Um é William de Oliveira, assistente técnico do Zenit.

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O outro é Michel Huff, preparador físico que começou a trabalhar há pouco no Arsenal Tula, mas já tem uma história de sucesso tanto na Rússia, quanto no Leste Europeu.

Gaúcho de Pelotas, seu trabalho mais recente no Brasil foi no Corinthians. Ele esteve junto com o técnico Tiago Nunes entre o fim de 2019 e setembro de 2020. Gostou bastante da experiência que, entretanto, acabou abreviada pela demissão do treinador.

“Eu havia ficado mais de 10 anos trabalhando fora do Brasil e resolvi voltar por causa da minha família, estar mais próximo da minha esposa e do meu filho”.

“No fim de 2019, surgiu esta oportunidade de trabalhar com o Tiago e aceitei. Foi um trabalho muito bom, gostei de estar no Corinthians, um clube grande, com ótima estrutura. Como não era funcionário do clube e sim da comissão fixa dele, acabei saindo. Entretanto, deixo as portas abertas para trabalhar novamente no país no futuro”, afirmou.

Mas o outro lado do Atlântico parece ser mesmo o seu porto seguro.

“Na Europa, eu me sinto muito mais confortável do que no futebol brasileiro por diversos fatores. Você tem uma estabilidade maior no emprego e tempo para trabalhar, implantar a sua filosofia. No Brasil, você quase não tem tempo de preparar uma equipe e a cobrança é muito maior. E se o resultado não vier, acabou. Além disso, a parte financeira, as questões de premiação são cumpridas à risca. Isso infelizmente muitas vezes não acontece no Brasil”, disse Michel.

No Velho Continente, ele já passou por três países. Iniciou sua trajetória no Metalist Kharkiv, na época dourada do futebol ucraniano antes da Guerra da Crimeia e passou pelo Sheriff Tiraspol, da Moldávia, antes de ter sua primeira experiência na Rússia.

Isso foi na temporada 2017/2018 e fez parte de uma façanha. Foi preparador do Tosno, pequeno clube de São Petersburgo que venceu a Copa da Rússia em 9 de maio de 2018 e algumas semanas depois fechou às portas por causa de problemas financeiros.

“Quando eu trabalhei na Ucrânia tive a oportunidade de ver o país receber a Eurocopa, em 2012, e tinha o plano de fechar meu ciclo na Europa vendo a Copa do Mundo. Surgiu esta oportunidade de trabalhar em São Petersburgo e aceitei. Ali fizemos um trabalho incrível e conseguimos uma façanha de ganhar um título passando pelo Spartak na semifinal. Quando fomos campeões, já estávamos há mais de três meses sem receber salários, o que é muito raro de acontecer na Rússia”, contou Huff.

Ele conseguiu assistir dois jogos da Copa em São Petersburgo e planejava passar o torneio inteiro na cidade antes de retornar ao Brasil. Mas no meio do Mundial, o técnico Dmitry Parfenov, com quem havia trabalhado no Tosno o convidou para trabalhar no Ural, de Ekaterimburgo. Ele não titubeou e aceitou. Rapidamente fez as malas e voou para a Eslovênia, onde o clube fazia a pré-temporada.

Huff ficou no Ural até agosto de 2019 e saiu junto com o treinador. Voltou ao Brasil, ficou um tempo sem trabalhar e foi parar no Corinthians.

E foi por meio do seu parceiro campeão no Tosno que acabou voltando à Rússia. Parfenov assumiu o Arsenal perto do fim do ano passado e sabendo que o brasileiro estava sem emprego fez o convite. Em um primeiro momento, Huff não aceitou pois queria seguir no futebol nacional.

Porém ao conversar com Tiago Nunes e saber que o treinador só tem planos de voltar a trabalhar a partir do início dos Estaduais, optou por voltar à Rússia.

“Gosto de desafios e aqui o clube não está muito bem (é 14º entre 16 participantes) e temos um trabalho interessante pela frente. E temos tempo para preparar a equipe e isso é importante. Mas não fecho as portas para o Brasil. Tenho contrato de um ano e meio aqui e depois veremos o que acontece”, disse Huff.