Ex-diretor de inteligência da PF diz que número de relatórios produzidos em 2019 foi superior a anos anteriores

Aguirre Talento

BRASÍLIA - O ex-diretor de inteligência da Polícia Federal Claudio Ferreira Gomes afirmou em depoimento que a produção de documentos de inteligência no ano de 2019 foi superior aos anos anteriores, rebatendo as reclamações do presidente Jair Bolsonaro de que não recebia informações de inteligência da corporação.

Gomes comendou a Diretoria de Inteligência da PF durante a gestão do diretor-geral Maurício Valeixo -cuja demissão provocou a saída do então ministro da Justiça Sergio Moro sob acusações de que Bolsonaro tentou realizar interferências indevidas na Polícia Federal. Uma das justificativas apresentados pelo presidente para querer trocar Valeixo era que não recebia informações de inteligência da PF. Ele foi ouvido no inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura essas supostas interferências.

"O número de documentos de inteligência produzidos pelo Sistema de Inteligência da Polícia Federal (Sinpol), no ano de 2019, foi superior aos anos anteriores", afirmou no depoimento. "Esses documentos consistem em, além de relatórios de inteligência propriamente ditos, pedidos de informação, elaboração de informes e informações, elaboração de investigações sociais, tratamento e processamento de dados recebidos pelo disk-denúncia, dentre outros", disse.

Em seu depoimento, Gomes afirmou que nunca recebeu pedido de relatório de inteligência sobre investigações relacionadas a Bolsonaro. Disse ainda que chegou a entregar um relatório ao então ministro da Justiça Sergio Moro sobre inquérito relacionado ao presidente que havia sido concluído, mas não explicou de qual caso se tratava.

Segundo Gomes, os relatórios de inteligência eram produzidos tanto para abastecer a própria Polícia Federal como os órgãos do sistema brasileiro de inteligência, que inclui a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ele disse ainda que o sistema de inteligência permite que sejam enviados documentos diretamente ao presidente da República, a depender da urgência do caso, mas que isso nunca ocorreu durante sua gestão à frente da Diretoria de Inteligência.

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