Ex-diretor do Metrô em gestões tucanas delata, e 14 viram réus na Lava Jato de SP

JOSÉ MARQUES
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 18.06.2019: Fachada da empresa Odebrecht, em São Paulo. (Foto: Marcelo D. Sants/FramePhoto/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Executivos das empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS viraram réus sob acusação de crimes de corrupção na construção das linhas 2-verde, 5-lilás e 6-laranja do Metrô de São Paulo, em ação apresentada pela força-tarefa da Lava Jato paulista.

A denúncia do Ministério Público Federal contra os executivos, aceita nesta sexta (9) pela juíza federal substituta Flavia Serizawa e Silva, usou elementos da delação premiada de Sérgio Brasil, que foi diretor do Metrô na gestão José Serra (PSDB) e assessor de PPP (parcerias público-privadas) na Secretaria de Planejamento do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Um dos denunciados é o próprio Brasil, que deve obter benefícios da Justiça por ser um delator. No total, são 14 réus, entre eles outros delatores, como os executivos da Odebrecht.

Segundo a Lava Jato de São Paulo, Brasil admitiu ter recebido pagamento das cinco construtoras para favorecê-las em concorrências do Metrô.

Além dele, o Ministério Público Federal apresentou ação contra integrantes ou ex-integrantes da Odebrecht (Fabio Andreani Gandolfo, Benedicto da Silva Júnior, Celso da Fonseca Rodrigues, Luiz Antonio Bueno Júnior, Arnaldo Cumplido de Souza e Carlos Armando Guedes Paschoal), Andrade Gutierrez (Flávio David Barra, Dario Rodrigues Leite Neto e Anuar Benedito Caram), Queiroz Galvão (Mário Bianchini Júnior e Carlos Alberto Mendes dos Santos) e OAS (José Alexis Beghini Carvalho e Carlos Henrique Barbosa Lemos).

Na denúncia, os procuradores dizem que há suspeitas de corrupção na ampliação das linhas 2 e 5 do Metrô e também na montagem da parceria público-privada que resultou no projeto da linha 6.

Os crimes teriam sido cometidos entre 2004 e 2014, e envolveria, além das gestões Serra e Alckmin, as de Alberto Goldman (PSDB) e Claudio Lembo (ex-DEM, hoje no PSD).

Na linha 2-verde, Brasil afirmou ter trabalhado para manter os contratos, celebrados em 1990, por meio de 29 aditivos. Ele teria recebido R$ 2 milhões das empresas.

Já a linha 5-lilás, ele disse ter trabalhado para direcionar a licitação do trecho entre as estações Largo 13 e Chácara Klabin, de modo a favorecer as empreiteiras.

Antes, Brasil também havia sido citado por delatores da Odebrecht, que diziam ter feito repasses a agentes públicos para viabilizar contratos e até liberações de vias públicas para a execução das obras.

A delação da empreiteira também serviu de subsídio para a denúncia. Separadamente, a força-tarefa da Lava Jato de São Paulo tem investigado pagamentos feitos à Camargo Corrêa por intermédio de doleiros.

À Justiça Federal os procuradores informaram que continuam a investigar a participação de outras pessoas nos episódios sob suspeita de corrupção. Também apuram cartel das empresas. ​

Procurada, a Andrade Gutierrez informou em nota que "apoia toda iniciativa de combate à corrupção, e que visa a esclarecer fatos ocorridos no passado".

"A companhia assumiu esse compromisso público em um manifesto veiculado nos principais jornais do país e segue colaborando com as investigações em curso dentro dos acordos de leniência firmados com o Ministério Público Federal (MPF), com a Controladoria Geral da União (CGU), com a Advocacia Geral da União (AGU) e com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

"Cabe ressaltar que a empresa tem total interesse em esclarecer os fatos que abrangem os processos abertos agora pelo Ministério Público Federal de São Paulo em relação às obras do metrô e já se coloca à disposição das autoridades competentes para uma colaboração ampla e irrestrita das informações de que tem conhecimento."

A Queiroz Galvão informou que não irá comentar a denúncia.

A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos demais acusados.