Ex-diretor da Pemex ligado à Odebrecht detido na Espanha aceita extradição para o México

O ex-presidente da Pemex, Emilio Lozoya, concordou em ser extraditado da Espanha para o México para ser investigado pelo escândalo de corrupção da construtora Odebrecht, informou o Ministério Público nesta terça-feira(30). Foto de 17 de agosto de 2017.

Emilio Lozoya, ex-diretor da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) e próximo ao ex-presidente Enrique Peña Nieto, concordou em ser extraditado da Espanha para o México para ser investigado pelo escândalo de corrupção da construtora brasileira Odebrecht, informou o Ministério Público nesta terça-feira(30).

Ele foi preso em 12 de fevereiro em Málaga e é a autoridade mexicana de mais alto escalão envolvida no esquema de propinas que a empresa brasileira teria pago em troca de futuros contratos de obras públicas.

Lozoya apresentou na segunda-feira ao tribunal espanhol seu "consentimento expresso em ser entregue às autoridades mexicanas, oferecendo sua colaboração para estabelecer e esclarecer os fatos que lhe foram atribuídos", disse o procurador-geral Alejandro Gertz à imprensa.

Gertz informou ainda que, assim que fosse colocado à disposição da justiça mexicana, Lozoya seria transferido em um avião oficial "com o objetivo de cumprir todas as disposições de segurança, saúde e controle".

O ex-funcionário era procurado desde julho de 2019, quando um juiz emitiu um mandado de prisão para ser investigado pela compra de uma fábrica de fertilizantes em más condições por 500 milhões de dólares, valor considerado acima do mercado.

Por esse fato, é também investigado o empresário Alonso Ancira, que também teve sua extradição para o México aceita pela justiça espanhola em 28 de maio.

Ancira, em liberdade condicional, ainda pode recorrer dessa decisão.

Lozoya também é investigado por "crimes patrimoniais", disse Gertz, especificando que essa investigação foi aberta em janeiro de 2017, durante o governo de Peña Nieto ( 2012-2018), sem progresso.

Segundo investigações jornalísticas e testemunhos de colaboradores da justiça brasileira, Lozoya recebeu propinas milionárias da Odebrecht, que teriam sido destinadas à campanha presidencial de Peña Nieto, na qual era encarregado dos assuntos internacionais.

Esses pagamentos favoreceriam a Odebrecht em futuras licitações, já que Peña Nieto despontava como o candidato vencedor.

O caso Lozoya está nas mãos da alta jurisdição encarregada das extradições do Tribunal Nacional espanhol.

O ex-diretor da Pemex está detido em uma penitenciária de Madri.