Ex-diretora de escola atacada em Aracruz, no ES, relata “clima de desespero”

Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Primo Bitti, onde o primeiro crime aconteceu
(Foto: Reprodução/ Google Maps)
Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Primo Bitti, onde o primeiro crime aconteceu (Foto: Reprodução/ Google Maps)
  • Ex-diretora de escola atacada por atirador conta que presenciou "clima de desespero" no local;

  • Magda da Costa mora a três minutos do colégio e decidiu ir ajudar as vítimas ao saber do ocorrido;

  • Outras pessoas relataram a correria no local e o abalo provocado pelo episódio.

A ex-diretora da Escola Primo Bitti, uma das invadidas por um atirador na manhã desta sexta-feira (25), em Aracruz, no Espírito Santo, contou que presenciou um “clima de desespero” ao chegar no local. Magda Maria Barcellos da Costa mora a três minutos do colégio e decidiu ir ajudar as vítimas ao saber do ataque.

"Uma das feridas, mas que sobreviveu, é professora de História. Quando cheguei lá, estavam vindo as ambulâncias, foi horrível, um clima de desespero" relatou a ex-diretora ao g1.

Antes do atentado, Magda já havia se planejado para ir até a escola. O objetivo da visita era ajudar na organização dos Jogos Indígenas, na aldeia Caieiras Velha, o que não se concretizou. Assim como as aulas na rede municipal, os jogos também foram suspensos.

"Nunca teve um caso de violência como esse. Havia alguns problemas com alguns alunos, mas ninguém imaginava que pudesse ocorrer algo assim. Sempre trabalhamos para que a escola fosse um lugar de muito cuidado, muito amor, me dói muito ver isso acontecendo", desabafou.

Os vizinhos da escola também foram pegos de surpresa com os disparos, ouvidos de suas casas. Eles relataram a correria registrada na hora dos ataques, por volta das 9h30. Ao sair da Primo Bitti, o atirador invadiu a escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral. Três pessoas morreram, sendo dois professores da primeira instituição e um aluno da segunda.

Avó de uma adolescente de 13 anos que estuda na escola no período vespertino, Maria Lúcia de Oliveira Reis ficou abalada quando soube do ocorrido.

" Disseram que ele [atirador] entrou pelos fundos da escola. É uma falta de responsabilidade muito grande das pessoas que tomam conta da escola. Estamos passando dias tão difíceis e tão perigosos. Por que os fundos da escola estavam abertos e não tinha uma segurança lá? Você fica sem chão. Seu filho sai de casa pra ser educado e acontece uma coisa dessa, principalmente com nossas professoras", disse.

Mãe conta como filha conseguiu escapar

Ao portal O Globo, a mãe de uma menina de 12 anos que estuda no Centro Educacional Praia de Coqueiral relatou que a filha estava no recreio quando percebeu a presença de um homem estranho, que subiu correndo as rampas da escola em direção às salas de aula.

Ao ouvir os tiros, ela correu para o pátio, onde um funcionário a orientou para que fugisse pelos fundos, onde ela e alguns amigos se arrastaram para escapar.

"Nunca pensei que isso poderia acontecer aqui, um lugar tão tranquilo. Minha filha está chorando muito, assustada, não quer mais ir para a escola."

O criminoso foi preso pela polícia durante a tarde, horas depois do ataque.

Linha do tempo do ataque à escola em Aracruz: