Ex disse à sogra que pensou em matar MC Marcelly: ‘Ia picotar ela na faca’

Carolina Heringer
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O advogado que representa Marcelly Almoaya da Silva, conhecida como MC Marcelly, encaminhou à Justiça uma troca de mensagens pelo celular entre o ex-companheiro da funkeira, Francimar Jorge Cavalcante, e a sogra. Durante o diálogo, eles falam sobre uma briga entre o casal e o homem afirma que quase matou a cantora, acrescentando que a “picotaria na faca”.

No documento, ao qual o EXTRA teve acesso, o advogado Janser Myller Soares Lopes afirma que sua cliente “teme pela sua vida e de seus familiares”. Francimar foi preso em flagrante no último domingo por manter Marcelly em cárcere privado por seis dias. A Polícia Civil ainda abriu um inquérito para investigá-lo por suspeitas de ter agredido e ameaçado a ex.

A conversa entre Francimar e a sogra, Marta Cristina Almoaya, ocorreu dias após Marcelly ter sido agredida, em 18 de abril deste ano. No diálogo, eles falam sobre a briga que havia ocorrido. “Fiquei nervoso. Bati muito nela. Por um momento, pensei em matar ela (sic)”, escreveu Francimar, que usava o telefone de Marcelly. “Graças a Deus você não fez isso”, respondeu a sogra.

Confissão: Ex de MC Marcelly admite ter agredido funkeira

Em outro momento, ainda conversando sobre a briga, o homem disse que picotaria a ex “toda na faca”. A sogra pede que o homem se acalme e ele responde que já está mais tranquilo, mas volta a fazer ameaças. “A única coisa ruim é de não saber onde ela está. Se ela me traiu, vou pedir perdão para Deus e para a senhora, mas vou matá-la”, escreveu Francimar. “Em nome de Jesus, não faz isso, nem pensa nessas coisas”, respondeu a sogra.

Em outro momento da conversa, a mãe de Marcelly tenta convencer Francimar de que a filha não estava em sua casa e oferece fazer uma videochamada para comprovar o que dizia. “Dona Marta, eu tenho 37 anos. Isso não vai acabar bem . Vamos pelo caminho mais fácil. Eu tenho seu endereço. Nunca vou te perdoar por fazer isso. Por isso estou pedindo para não mentir para mim”, respondeu o ex da funkeira.

A mãe de Marcelly afirma não estar mentindo, e chama o genro de Frank. “Manda isso para a polícia, por favor. Pede para me prender antes que aconteça alguma coisa”, disse Francimar. Em seguida, Marta tenta acalmá-lo: “Pelo amor de Deus, fica calmo. Não faz nada de cabeça quente”, disse.

A conversa entre Francimar e Marta foi enviada à Central de Audiência de Custódia junto com fotos que mostram como a funkeira ficou após ter sido agredida pelo ex no dia 18 de abril. No documento, o advogado pedia que Francimar fosse mantido preso. Em audiência de custódia nessa terça-feira, a Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante do acusado.

Seis dias em cárcere privado

Em depoimento à Polícia Civil, Mc Marcelly afirmou que o ex-companheiro a manteve em cárcere privado por não aceitar o fim da relação que eles mantinham há 11 anos. A funkeira contou que no período em que esteve sob o domínio do companheiro não foi agredida fisicamente, mas sofreu diversas agressões psicológicas. Segundo a cantora, o acusado dizia que caso ela tentasse alguma coisa, ele sabia o endereço de seus familiares. Ela também relatou ter sido impedida de ficar com o próprio celular.

Durante o depoimento, a funkeira narrou o episódio no qual sofreu agressões físicas. De acordo com o relato dado à polícia, no dia 18 de abril, Francimar agrediu a ex-companheira com socos, pontapés, chutes e empurrões. Após o episódio, ela disse ao acusado que não queria mais se relacionar com ele. O homem, tentou, então, impedí-la de sair do apartamento que dividiam, mas a funkeira conseguiu fugir.

Marcelly relata que no dia 27 de abril voltou para casa, pois Francimar afirmou que iria aceitar a separação amigavelmente. No entanto, não foi isso que ocorreu e ele passou a impedir que ela deixasse o apartamento. Segundo ela, Francimar chegou a levá-la para Paraty, na Costa Verde do Rio, contra a sua vontade. Em um momento de descuido do ex, a MC conseguiu avisar ao irmão sobre a situação e a polícia foi acionada.

Os PMs que estiveram no imóvel onde vivia o casal, após arrombarem a porta, relataram que encontraram Marcelly deitada na cama junto com Francimar. De acordo com os policiais, a mulher estava muito nervosa, trêmula, e com sinais externos de agressão. Francimar estava ao lado dela, no interior do quarto, sem sinais de agressão.

Levado para a 24ª DP (Piedade), Francimar foi autuado em flagrante pelo crime de cárcere privado qualificado, cuja pena é de dois a cinco anos de prisão. Em depoimento, ele negou que tenha mantido a ex-companheira em cárcere, mas admitiu as agressões.O exame de corpode delito realizado pela Polícia Civil em Marcelly na madrugada desta segunda-feira também deu positivo para lesão corporal.